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Chroniques · Opinion
A aposta da Nike SB nos jovens dos JO: por que apostar em Rayssa Leal?
Rayssa Leal a décroché l'argent à Tokyo à treize ans. Nike SB s'intéresse à elle : pourquoi elle, pourquoi le Brésil, et ce que ça change pour la rue.
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Treze anos, uma medalha de prata em Tóquio, e Nike SB ao lado. Por muito tempo, a marca assinou pro que já tinha dez anos de vídeos nas costas. Com Rayssa Leal, ela entrou em outra fase: apostar em uma adolescente antes que sua carreira fosse escrita. Por que ela? A gente chega lá, mas primeiro, as regras mudaram.
Antes, Nike SB assinava pro já estabelecidos
Em 2005, Paul Rodriguez deixou a es e lançou seu primeiro tênis Nike SB. Ele tinha uns vinte anos, vídeos que giravam em loop e uma reputação feita na rua. Era o modelo da época: a marca chegava depois da prova. A gente contou essa história em a história do P‑Rod na Nike SB.
Esse modelo tinha uma lógica simples. Um pro já instalado, é um risco baixo. Os skatistas conhecem, os vídeos existem, o estilo não vai mudar. A marca compra uma credibilidade pronta. E evita o processo de recuperação, aquele que a rua faz com cada gigante do esporte que chega.
Esse processo, Nike SB já conhecia desde o começo em 2002. Algumas marcas até construíram sua identidade contra ela. Emerica se recusou a virar Nike por 28 anos, e essa recusa faz parte da história.

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Tóquio 2021 mudou o cenário
Os Jogos de Tóquio abriram a porta para o skate em 2021. De repente, a rua passou nas telas esportivas do mundo inteiro. As marcas não falam mais só com os skatistas. Elas falam também com os pais, com os patrocinadores gerais, com os garotos que nunca viram um vídeo de skate.
Na pista do street feminino, Rayssa Leal tem treze anos. Nascida em 2008 em Imperatriz, no nordeste do Brasil, ela volta com o dinheiro. Ela não é a única que está rejuvenescendo o skate: no park, Sky Brown pega o bronze na mesma idade. O skate olímpico agora tem rostos de adolescentes.
Para uma marca, isso é um novo cálculo. Uma garota medalhista tem, na frente dela, dez ou quinze anos de carreira. Apoiar cedo é estar lá pra cada vitória que vem depois. Chegar tarde é pagar mais caro por um nome que todo mundo já conhece.
Fadinha, a rua antes do palco
O detalhe que conta: Rayssa não é um produto dos Jogos. Anos antes de Tóquio, um vídeo dela de bebê, fantasiada de fada, a mostra fazendo um heelflip. O clipe circula por aí, até ser compartilhado por Tony Hawk. O apelido Fadinha, a pequena fada, vem daí.
Esse clipe muda tudo pra uma marca. Ele prova que a história dela nasceu na rua, filmada por alguém próximo, sem plano de marketing. É exatamente isso que um serviço de comunicação não consegue criar. E é isso que protege a marca de processos de apropriação.
O Brasil, uma cena que não se contorna
O Brasil não é um mercado que a gente descobre. É uma das cenas de street mais densas do mundo, com gerações de riders que passaram pelos contests americanos. Uma marca que quer falar com a rua não pode ignorar isso. Rayssa se tornou a figura mais visível.
E ela confirma. Nos Jogos de Paris 2024, ela pega o bronze em street. A aposta feita em uma garotinha de treze anos continua firme três anos depois. A trajetória dela em competição é contada em nosso retrato de Rayssa Leal. Aqui, é o cálculo da marca que nos interessa.

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Então, por que ela?
Essa é a resposta. A Nike SB aposta em Rayssa Leal porque ela marca as duas pontas que o skate costuma separar. A primeira, é a rua: um clipe viral aos sete anos, um estilo de street, uma história que ninguém escreveu no lugar dela. A segunda, é a vitrine: uma medalha olímpica aos treze anos, depois outra aos dezesseis.
Um pro instalado marca a primeira ponta. Uma estrela olímpica surgindo do nada marca a segunda. Ela tem as duas, e tem dez anos de carreira pela frente. Para uma marca que quer manter a rua enquanto fala ao grande público, esse é o perfil mais raro que existe.
Não temos os termos do contrato, então não escrevemos nada. O que lemos é uma estratégia: chegar antes da prova completa, em vez de chegar depois. É o inverso do modelo P‑Rod de 2005. E é uma aposta de verdade, porque uma adolescente tem o direito de mudar de rota.
O lado negativo da aposta
Seguir uma garotinha também pesa nas costas. Tornar-se um logo aos treze anos, com um país inteiro olhando, pesa muito. O skate já viu prodígios quebrar sob pressão. A verdadeira questão para o futuro não é o logo. É a liberdade que a marca deixa à skatista.
O resto será julgado no asfalto. Partes filmadas, sessões de rua, não só podiums. Se Rayssa mantiver um pé na rua, a aposta da Nike SB se tornará o modelo das próximas dez anos. Caso contrário, será apenas uma história de vitrine. A gente observa e te conta.
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Parts, spots, bastidores: tudo sai primeiro nas contas.
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