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★ Chroniques · Opinion
Top 10 vídeos de skate dos anos 2000 — o ranking que vai dar treta
Fully Flared, Menikmati, Yeah Right — notre top 10 des meilleures vidéos skate des années 2000. Un classement qui va faire débat, et c’est voulu.
Fully Flared, Menikmati, Yeah Right — notre top 10 des meilleures vidéos skate des années 2000. Un classement qui va faire débat, et c’est voulu.
→ Pour aller plus loin : Personne ne tient 5 minutes : la vidéo de skate longue a-t-elle encore un avenir ?
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Fully Flared - 2007. Menikmati - 2000. DC Video - 2003. Se você cresceu com uma fita VHS largada no quarto e um pico vagabundo a 15 minutos de bike, esses títulos não são nomes de vídeo — são um calendário emocional. E esse ranking não vai ser unanimidade. A ideia é essa.
Os "melhores vídeos de skate dos anos 2000" é aquele tipo de assunto que junta caras que não se falam há cinco anos em volta de uma discordância construtiva. O tipo de conversa em que você percebe às 23h que não come há quatro horas. A gente montou o ranking de baixo pra cima. Bancamos as escolhas. O N°1 está no fim do artigo, e vai irritar muita gente — a gente também entrega a resposta pra quem recusa a nossa pirueta. E se você não concordar — perfeito.
Top 10 — de baixo pra cima, porque suspense é coisa que se merece

N°10 — Menikmati - 2000 (éS)
A gente podia ter colocado mais em cima. Podia. Arto Saari chega nesse vídeo como se a física não fosse problema dele — os handrails dele são declarações de intenção, não manobras. Eric Koston encaixa um nollie heelflip switch crook num pico que metade dos skatistas da época nem teria olhado. E tudo isso em 2000, quando o digital mal existia nas câmeras de skate.
Ele é o N°10 porque o resto do ranking é desumano. Não porque seja fraco. Assiste a part do Arto Saari inteira e depois volta pra falar comigo.
N°9 — The DC Video - 2003
DC Video - 2003 é o orçamento transbordando e inundando tudo. Cada part é superproduzida, os picos são gigantes, as manobras estão à altura da grana. Rob Dyrdek anda em Pulaski Park como se fosse o quintal de casa. Danny Way pula de um helicóptero numa rampa. Literalmente. De um helicóptero.
O que garante o N°9 e não o top 5: às vezes, orçamento demais sufoca a energia bruta. Assiste um clipe do The DC Video logo depois de um clipe da Emerica — você sente a diferença entre um vídeo feito com grana e um vídeo feito com urgência. Os dois têm seu valor. Mas a gente coloca o segundo mais em cima.
Orçamento demais às vezes sufoca a energia bruta. Os melhores vídeos de skate têm uma urgência que dinheiro não compra. — O que o DC Video nos ensinou sem querer
N°8 — Photosynthesis - 2000 (Alien Workshop)
A Alien Workshop sempre teve um lance meio à parte. Photosynthesis - 2000 confirma que era proposital, não acidente. A trilha sonora é estranha, a edição é orgânica numa época em que todo mundo queria punch cut, e os skatistas — Josh Kalis, Jason Dill, Anthony Van Engelen — andam como se a câmera não existisse.
A part do Josh Kalis em Love Park é o momento em que a Filadélfia vira capital mundial do skate. Uma praça de granito, uma turma de caras e um jeito de andar que ninguém copiou sem que desse pra notar. A técnica de laboratório de um Rodney Mullen vem de outro planeta; aqui, tudo acontece no chão, na cidade, sem rede de proteção.

N°7 — Sorry - 2002 (Flip)
O skate britânico não existia nas conversas globais antes de Sorry - 2002. Geoff Rowley já tinha nome — mas Arto Saari na Flip, Tom Penny reaparecendo no radar, e Bastien Salabanzi chegando como um tapa na cara coletivo... esse vídeo mudou o equilíbrio geográfico da cultura do skate.
A part do Rowley continua sendo uma das coisas mais violentas já filmadas. Não "violenta" no sentido de agressiva — violenta no sentido de: esse cara está disposto a destruir os joelhos pela cena. Esse tipo de energia não se fabrica. Se captura.
N°6 — Emerica "This is Skateboarding" - 2003
O título é uma provocação. "This is Skateboarding" — subentendido: o resto não é. Andrew Reynolds, Heath Kirchart e o time completo da Emerica. Ledges de rua, handrails que dão medo, e um tom de produção que deixa claro que orçamento não é o assunto. O assunto é o terreno e o que se faz com ele.
Heath Kirchart anda com uma precisão fria que nunca mais foi reproduzida. Nada de estilo "feel-good", nada de sorriso depois do landing. Ele encaixa a manobra e vai embora. Talvez seja a definição mais honesta do street skating puro.
N°5 — Mind Field - 2009 (Alien Workshop)
Estamos em 2009, tecnicamente fora da década. A gente tá nem aí — Mind Field - 2009 pertence culturalmente aos anos 2000, é o ápice de tudo que a Alien Workshop vinha construindo desde Photosynthesis. Dylan Rieder anda nesse vídeo como se o chão fosse opcional — cada manobra encaixada com uma elegância que virou escola pra toda uma geração. Anthony Van Engelen, por sua vez, traz a mesma energia bruta de 2000, nove anos depois, sem um pingo de cálculo. E a trilha sonora — The Smiths, Bauhaus, Neurosis — prova que um vídeo de skate pode ser uma obra de composição tanto quanto uma coletânea de manobras.
N°4 — Yeah Right! - 2003 (Girl)
Spike Jonze atrás da câmera, um time Girl no auge da forma — Eric Koston, Mike Carroll, Guy Mariano — e um orçamento que permitiu fazer coisas que ninguém tinha tentado ainda num vídeo de skate. A sequência dos skates invisíveis. O falso documentário. A edição que respira.
Yeah Right - 2003 é o vídeo que provou que o formato "skate video" podia ser um objeto cinematográfico por inteiro sem trair o street skating. E a part do Guy Mariano — voltando de longe, todo mundo sabia — talvez seja a part de comeback mais carregada de emoção da história do skate.

Yeah Right provou que um vídeo de skate podia ser cinema. Sem sacrificar um segundo sequer de street skating de verdade. — O que Spike Jonze entendeu antes de todo mundo
N°3 — Baker 2G - 2000 (Baker)
Baker 2G - 2000 não tinha orçamento. A câmera era segurada na mão em posições improváveis. Os picos eram os que os caras achavam andando por aí. E isso — exatamente isso — é o que garante essa posição.
Andrew Reynolds anda com uma determinação que parece raiva. Elissa Steamer está ali, nessa lista de caras mandando ver em handrail, e ela está totalmente no lugar dela, sem esforço, sem que ninguém precise sublinhar. Jim Greco é filmado como se a câmera tivesse dificuldade de acompanhar — porque tinha mesmo. Esse vídeo não tem intro cinematográfica. Ele começa, anda, acaba. Só isso.
N°2 — Fully Flared - 2007 (Lakai)
Ty Evans atrás da câmera, Mike Carroll e Eric Koston como cabeças de cartaz, e um Marc Johnson entregando a performance da carreira. Fully Flared - 2007 é provavelmente o vídeo de skate mais ambicioso tecnicamente já feito até então. A intro das explosões ficou na memória — até quem achava too much assistiu duas vezes.
A part do Marc Johnson é uma aula de skate street puro: switches, linhas em nollie, trabalho de ledge em condições reais. Sem trampolim, sem rampa escondida. Picos reais, manobras reais, e uma precisão que dá vontade de largar o shape por respeito. E principalmente: Guy Mariano. A part dele levou "Best Street" e "Best Video Part" no Transworld Awards 2007 — a volta de um cara que o skate achava que tinha perdido de vez, filmada sem um segundo sequer de dramalhão.
N°1 — Mouse - 1996 (Girl): sim, um vídeo de 1996 no topo de um top anos 2000
Não. O N°1 é Mouse - 1996 (Girl). E a gente banca.
Mouse - 1996 não é tecnicamente um vídeo dos anos 2000. Mas é o vídeo sem o qual esse ranking inteiro não existe. Eric Koston, Guy Mariano, Gino Iannucci, Keenan Milton — em picos reais, em cidades reais, com uma câmera que enquadrava como se a manobra fosse uma conversa, não uma performance. Sem rap formatado, sem explosões, sem edição gritando.
Mouse - 1996 é o vídeo que a gente mais rebobinava. Não por causa das manobras mais insanas — por causa da forma como ele fazia a gente sentir. E se um vídeo de 1996 ainda se sustenta como referência absoluta num ranking dos anos 2000, é porque ele estabeleceu um padrão que ninguém superou.

Você vai dizer que está fora do tema. E eu te digo que é exatamente esse o tema: todos os vídeos desse ranking foram filmados com a mesma ferramenta, no mesmo espírito, por caras que tinham todos visto Mouse - 1996 antes de ligar a câmera.
E se você não aceita a fuga do tema — é seu direito, e é até a atitude mais saudável — então aqui vai a resposta seca, sem escapatória: o N°1 estritamente anos 2000 é Fully Flared - 2007. Quatro anos de filmagem, a part do Guy Mariano premiada duas vezes no Transworld Awards, e uma intro que até quem odeia edição chamativa assistiu duas vezes. Nenhum outro vídeo da década reuniu esse nível de skate, essa produção e essa carga emocional ao mesmo tempo.
Qual vídeo devia ser o N°1 na sua opinião — e por que a gente tá errado de colocar Mouse no lugar do Fully Flared? Fala aí nos comentários ↓
Le lexique
-
1
nollie heelflip
Figure où le skateur frappe le nose (avant de la planche) au lieu du tail, en faisant tourner la board d'un coup de talon.
-
2
handrail
Rampe ou barre métallique d'escalier utilisée comme obstacle pour les grind et slide.
-
3
switch crook
Crooked grind exécuté en switch stance — c'est-à-dire dans le sens opposé au sens naturel du skateur.
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4
nollie back heel
Nollie heelflip vers le backside — combinaison de direction et de rotation de la planche.
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