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Yuto Horigome, 2 títulos olímpicos seguidos: o skate street virou japonês?

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Yuto Horigome, 2 títulos olímpicos seguidos: o skate street virou japonês?

Deux Jeux, deux ors en street masculin, et un podium mondial 100 % japonais en 2023. Portrait de Yuto Horigome et de la filière qui produit ses successeurs.

26 août 2026 · 7 min de lecture
Guillaume Martin

Rédacteur skate chez NOSK8.

Spots, portraits et culture skate française — chaque article est relu et sourcé. Trois générations de pros au compteur. Chronique mensuelle.

Em 29 de julho de 2024, na place de la Concorde, faltam dez segundos de campeonato e Yuto Horigome está em segundo. Ele precisa de uma última manobra. E acerta. Resultado final: 281,14 contra 281,04 de Jagger Eaton. Dez centésimos de ponto. O segundo ouro olímpico seguido no street masculino vai pro Japão.

Três anos antes, em Tokyo, ele já tinha levado o primeiríssimo. Dois Jogos, duas medalhas do mesmo metal, um único país. A pergunta vem sozinha: a gente tá vendo um skatista fora de série, ou um país que tomou conta da modalidade? A resposta existe, tem número, e não é a que você imagina.

29 de julho de 2024: 0,10 ponto de diferença, e um segundo ouro

A final de Paris foi a mais apertada da curta história do skate olímpico. Os três primeiros cabem dentro de 1,76 ponto: Horigome 281,14, Eaton 281,04, Nyjah Huston 279,38. O quarto se chama Sora Shirai, também japonês, e fecha com 278,12.

Em Tokyo, em julho de 2021, o roteiro foi mais tranquilo: 37,18 pontos, uma última manobra com nota 9,50, mais de um ponto de folga sobre Kelvin Hoefler. O primeiro campeão olímpico de skate street da história venceu a quinze minutos de carro da casa onde cresceu.

São as duas únicas edições que existem. De duas, ele ganhou duas. Nenhum outro skatista, homem ou mulher, fez isso em nenhuma das quatro provas.

Final do street masculino em Paris 2024: a volta que dá o 2º título olímpico a Yuto Horigome

Um pai taxista, e uma pista em Kōtō

Ryota Horigome dirigia táxi em Tokyo. Antes disso, andava de skate na rua. Colocou o filho em cima de um shape antes de ele aprender a andar — é aquele tipo de detalhe biográfico que você lê em todo lugar, só que aqui ele explica literalmente o resto da história.

Aos 7 anos, Yuto passa os dias no Amazing Square, a pista coberta do distrito de Kōtō, no leste de Tokyo. Não é um pico de rua: é uma pista paga, com corrimãos, bordas e um teto. Pensa no que isso muda. Sem segurança te expulsando, sem chão molhado, sem sessão cancelada em novembro. Enquanto o mito americano se constrói sendo enxotado de praça pública, ele teve a mesma borda debaixo dos pés todo dia durante dez anos.

Aos 12, ele sabe que quer ser pro. Aos 14, começa o vai e vem pros Estados Unidos. Aos 16, se muda pra Los Angeles e faz o colégio a distância, porque o calendário de campeonatos não cabe numa rotina normal.

Yuto Horigome no ar sobre um handrail no campeonato mundial de street em Tokyo, dezembro de 2023
Dezembro de 2023, Ariake Coliseum. O corrimão: foi em cima disso que ele se construiu — a precisão na barra, aprendida numa pista coberta de Tokyo antes de ser exportada pra Califórnia. Foto: RuinDig — CC BY 4.0, via Wikimedia Commons.

Em maio de 2017, ele estreia na Street League em Barcelona e termina em terceiro, aos 18 anos. No ano seguinte, vence Londres, Los Angeles e Huntington Beach: primeiro japonês a ganhar uma etapa da SLS. O circuito americano acabava de ser aberto por alguém que não era americano, e nunca mais fechou de verdade.

A timeline

Carreira

  1. 2018Yuto Horigome, volta 9 Club na SLS Los Angeles 2018SLSPrimeiro japonês a vencer uma etapa da SLS. Ele leva três na mesma temporada: Londres, Los Angeles, Huntington Beach.
  2. 2021Yuto Horigome, melhores momentos de Tokyo 2020OlympicsPrimeiro campeão olímpico de street da história, em Ariake, em casa: 37,18 pontos, última manobra com nota 9,50.
  3. 2022Final do street masculino no X Games Chiba 2022X GamesOuro no primeiro X Games realizado no Japão, em Chiba. A modalidade veio jogar no quintal dele, e ele venceu na frente da sua torcida.
  4. 2023Como Yuto Horigome venceu o Tampa Pro 2023Skatepark of TampaPrimeiro japonês a vencer o Tampa Pro, o campeonato mais respeitado do circuito americano — justamente o que não tem nada de olímpico.
  5. 2024A volta de ouro de Yuto Horigome em Paris 2024OlympicsSegundo ouro seguido na place de la Concorde, por 0,10 ponto. Ninguém ainda tinha conseguido defender um título olímpico no skate.

Dezembro de 2023, Tokyo: os três degraus do pódio são japoneses

É aí que a história deixa de ser sobre um cara só. No campeonato mundial de street disputado no Ariake Coliseum em dezembro de 2023, o pódio masculino é inteiramente japonês: Sora Shirai no ouro, Kairi Netsuke na prata, Horigome no bronze.

O bicampeão olímpico termina em terceiro dentro do próprio país. Lê essa frase de novo. Não é um dia ruim: atrás dele, tem fila de espera.

Kairi Netsuke, Sora Shirai e Yuto Horigome, pódio 100% japonês do street masculino no campeonato mundial de 2023 em Tokyo
Três degraus, três bandeiras idênticas. Da esquerda pra direita: Kairi Netsuke (prata), Sora Shirai (ouro), Yuto Horigome (bronze). Foto: RuinDig — CC BY 4.0, via Wikimedia Commons.

Os Jogos contam a mesma história. Em Tokyo, o Japão sai com 3 ouros e 5 medalhas no skate, de 12 distribuídas. Em Paris, 2 ouros e 4 medalhas, primeira nação à frente da Austrália e dos Estados Unidos. E as vencedoras são meninas: Momiji Nishiya tinha 13 anos em Tokyo, Coco Yoshizawa tinha 14 em Paris.

A AJSA: o circuito que te ranqueia antes do fundamental acabar

O que produz esses resultados não tem nada de mágico e tem tudo de administrativo. A Japan Skateboard Association — a AJSA — roda há décadas circuitos amadores regionais (Hokkaidō, Tōhoku, Chūbu, Kyūshū), um campeonato nacional amador e, acima disso, um Japan Pro Tour. Um moleque do interior tem, perto de casa, uma competição que dá ranking, um ranking nacional e um caminho claro até virar pro.

Soma a isso a rede de pistas cobertas, pagas, abertas o ano inteiro, com a pista de Miyashita em Tokyo como vitrine mais visível. Na França, um moleque motivado procura um pico; no Japão, ele faz inscrição.

O resultado é uma corrente que não quebra. Horigome nasceu em 1999. Shirai em 2001. Netsuke em 2003. Yoshizawa em 2009. Ginwoo Onodera em 2010. Cinco gerações empilhadas em onze anos de diferença, todas já em nível mundial.

Então, o skate street virou japonês?

Sim — e é preciso dizer qual, senão a frase não quer dizer nada.

O skate street de competição, sim. Não é uma janela aberta por um talento isolado, e a contraprova já foi feita. Em dezembro de 2025, Ginwoo Onodera venceu o Super Crown, o título mundial da Street League, aos 15 anos. Três anos antes, aos 12, ele já era o campeão nacional mais jovem da história do Japão. Quando o melhor skatista de um país pode ser substituído por alguém que ainda não tem idade pra tirar habilitação, não é mais uma geração: é uma linha de produção.

Ginwoo Onodera aos 13 anos: a nova geração que fez o skate street virar japonês, no mundial de Tokyo 2023
Ginwoo Onodera no aquecimento do mundial de Tokyo, dezembro de 2023. Ele tem 13 anos nessa foto. Dois anos depois, é campeão mundial da SLS. Foto: RuinDig — CC BY 4.0, via Wikimedia Commons.

O skate como um todo, não. O park segue australiano — Keegan Palmer e Arisa Trew levaram os dois ouros de Paris. O street feminino também se decide contra o Brasil, onde Rayssa Leal ocupa a mesma posição que Horigome. E principalmente: a cultura, as marcas, os vídeos, os picos lendários — tudo isso continua americano, e o Japão nem tá tentando tomar.

A verdadeira virada tá em outro lugar. Durante trinta anos, o circuito decidia quem importava a partir de Los Angeles. Hoje, o melhor sistema de formação do mundo fica em Tokyo, e o melhor skatista de campeonato da década aprendeu a andar numa pista coberta do distrito de Kōtō. Horigome não venceu contra a América: ele tornou a pergunta secundária.

O que ele vai fazer com a terceira

Los Angeles 2028 vem aí, dessa vez no quintal dos adversários. Ele vai ter 29 anos. Um terceiro ouro seguido nunca existiu nesse esporte pelo simples motivo de que o esporte só tem duas edições nas costas.

O mais interessante não é saber se ele consegue. É saber quem vai batê-lo — e tem grande chance de a resposta falar japonês, como ele, mas ter nascido dez anos depois dele.

Um circuito que ranqueia moleque a partir dos 12 anos: você acha isso saudável ou assustador pro skate? Conta por quê.Deixar um comentário

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Le lexique

  1. 1

    street

    Discipline du skate qui se dispute sur du mobilier urbain reproduit : rails, escaliers, rebords et plans inclinés.

  2. 2

    park

    Discipline disputée dans une cuvette en béton faite de courbes, où le skateur enchaîne des figures aériennes.

  3. 3

    ledge

    Rebord bas en béton ou en pierre sur lequel le skateur fait glisser sa planche ou ses trucks.

  4. 4

    run

    Passage chronométré, en général 45 secondes, où le skateur enchaîne librement ses figures devant les juges.

  5. 5

    Super Crown

    Finale annuelle de la Street League : le vainqueur est sacré champion du monde du circuit.

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