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Rodney Mullen, 60 anos: 34 vitórias em 35

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Rodney Mullen, 60 anos: 34 vitórias em 35

Il a gagné 34 des 35 contests de sa carrière et inventé la moitié des figures qu'on tente aujourd'hui au skatepark. Puis son corps a lâché — et à 41 ans, il a tout réappris avec l'autre pied devant, comme un débutant.

3 avril 2026 · 9 min de lecture
Guillaume Martin

Rédacteur skate chez NOSK8.

Spots, portraits et culture skate française — chaque article est relu et sourcé. Trois générations de pros au compteur. Chronique mensuelle.

No dia 17 de agosto, Rodney Mullen fez 60 anos. O cara venceu 34 dos 35 contests que disputou em dez anos — uma marca de que ninguém jamais chegou perto nesse esporte. E, passados os 40, ele demoliu de propósito a única coisa que sustenta o skate de qualquer pessoa: sua stance, o jeito natural de posicionar os pés sobre o shape. Não foi pra aparecer. Foi porque ele não tinha mais escolha.

Gainesville, 1976: um pai cirurgião e uma condição

John Rodney Mullen nasceu em 17 de agosto de 1966 em Gainesville, na Flórida. O pai era cirurgião. Skate, pra ele, era barulho, machucado e moleque que não ia ser nada na vida. Proibido, e ponto final.

Rodney negociou durante meses. Aos 10 anos, conseguiu seu skate com uma cláusula: na primeira lesão séria, acabou. Ele não se quebrou logo de cara — porque não andava na rua. Andava sozinho, na garagem, no chão liso, horas a fio.

Aquele moleque era tímido a ponto de isso atrapalhar a vida dele. Ansioso, fechado. O skate não era um esporte pra ele, era uma linguagem — a única em que ele conseguia dizer alguma coisa. Em 1978, com apenas um ano de skate, terminou em quinto num contest. A garagem tinha acabado de produzir um monstro.

34 contests de 35: a dominação mais absoluta do skate

Primeiro título de campeão mundial de freestyle aos 14 anos. No mesmo ano, Stacy Peralta o recrutou para a Bones Brigade da Powell Peralta, ao lado de Tony Hawk, Steve Caballero e Lance Mountain. Ele era o mais novo, o mais discreto e, de longe, o mais técnico.

Na década seguinte, ele venceu 34 dos 35 contests de freestyle que disputou. Muita gente repete "35 títulos mundiais": o número real é ainda mais insano, porque significa que ele só perdeu uma única vez. Os outros chegavam sabendo que estavam brigando pelo segundo lugar.

E enquanto vencia tudo, ele inventava. O flatground ollie — saltar com o skate no chão reto, sem rampa, sem parede. Depois o kickflip, o heelflip, o impossible, o 360 flip. Cada trick que você tenta hoje na pista desce daquela garagem da Flórida.

Skateur en plein kickflip sur du plat, planche en rotation sous ses pieds
Esse gesto não existia antes dele: o shape girando no próprio eixo, sem rampa, sem parede, no asfalto puro. Todo o skate moderno cabe nesse segundo de voo. Foto: Almonroth (Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0).

O paradoxo cabe numa história: em turnê com a Bones Brigade, numa parada de estrada em Maryland, ele fugiu da van. O melhor skatista do mundo não aguentava ficar junto dos outros.

Em 1985, sua part em Future Primitive - 1985 rodava em VHS, de mão em mão, até a fita ficar gasta. Você assistia na TV de tubo da sala, e tinha aquele momento em que o shape ia parar num lugar aonde não tinha nenhum motivo pra ir. Você levantava. Rebobinava. Assistia de novo, quadro a quadro, tentando entender por onde passavam os pés dele. Ninguém entendia.

A timeline

Carreira

  1. 1980Rodney Mullen, part freestyle Powell Peralta dans Future PrimitivePowell PeraltaAos 14 anos, ele entra para a Bones Brigade ao lado de Tony Hawk e Steve Caballero. Acabou de conquistar seu primeiro título mundial.
  2. 1986Rodney Mullen en run de freestyle au contest d Oceanside en 1986FreestyleNo auge: ele emenda vitória atrás de vitória e tira da cartola o kickflip, o heelflip e o 360 flip.
  3. 2001Rodney Mullen dans sa part Globe Opinion sortie en 2001GlobePart da Globe "Opinion": a prova de que seu vocabulário de freestyle também funciona no asfalto.
  4. 2004Rodney Mullen dans sa part Almost Round 3 face à Daewon SongAlmostPart da Almost "Round 3" — o duelo cult com Daewon Song que marcou toda uma geração.
  5. 2015Rodney Mullen filmé en 360 degrés en train de sortir de nouveaux tricksVogueEle ainda tira tricks inéditos, dessa vez captados em 360°. Já passou dos cinquenta e continua procurando.

O freestyle desaparece, ele traduz tudo pra rua

Rodney Mullen sur scène devant deux portraits géants projetés derrière lui
Vinte anos depois dos títulos, Mullen passa o tempo explicando como se inventa — diante de engenheiros em vez de juízes. Foto: PopTech (Wikimedia Commons, CC BY-SA 2.0).

No começo dos anos 90, o freestyle desmorona. Os contests acabam, os patrocínios somem, a modalidade inteira evapora em poucas temporadas. Pra qualquer outra pessoa, seria o fim da carreira aos 25 anos.

Mullen, por sua vez, larga a faculdade de engenharia química na Universidade da Flórida — no último ano, com o diploma quase na mão — pra assumir a direção da World Industries com Steve Rocco. E começa a traduzir, um por um, todos os seus tricks de chão pra linguagem da rua. O darkslide, o Casper slide, o primo slide: manobras que ninguém tinha visto no street porque ninguém mais vinha do freestyle de chão.

O resto vem rápido. O A-Team em 1997 com Marc Johnson. A série Rodney vs. Daewon - 1997, três volumes, um dos duelos mais assistidos da história do vídeo de skate. Uma patente registrada em 2000 pra um truck criado por ele, que viraria a Tensor. A Almost, cofundada com Daewon Song. O moleque da garagem virou uma indústria.

O corpo que entrega os pontos — e a decisão que ninguém tomaria

Esse é o preço de trinta anos abrindo espacate em cima de um skate, sempre pro mesmo lado. Os darkslides, as posições extremas, a mesma perna hiperestendida milhares de vezes: tecido cicatricial foi se acumulando no quadril direito até travá-lo.

Nas palavras dele, numa entrevista dada na feira Bright em 2011: foi "uma parada progressiva, até eu mal conseguir andar". O melhor skatista da história não conseguia mais atravessar um cômodo direito.

O que ele fez em seguida explica o título deste artigo. Nada de cirurgia. Ele passou cerca de um ano e meio quebrando ele mesmo esse tecido cicatricial, na base de alongamentos intermináveis e objetos duros pressionados contra o quadril — "de um jeito bem medieval", como ele diz. E enquanto desmontava o próprio corpo pedaço por pedaço, entendeu uma coisa: o que tinha ossificado não era só o quadril. Era a stance dele.

Então, a partir de 2007, ele a apaga. Reaprende seus tricks de goofy, ele que construiu a carreira inteira de regular. E faz questão de dizer que não é só "fazer tudo de switch", porque todo mundo anda de switch. O objetivo é mais radical: não ter stance nenhuma, nenhum lado natural. O resultado, ele resume assim: até o que você fazia na sua stance original volta a ser novo.

Aí está a resposta. Ele não apagou a stance por desafio nem por um clipe. O corpo o colocou contra a parede e, em vez de consertar o skatista que ele era, preferiu voltar a ser iniciante aos 41 anos. É exatamente o mesmo gesto dos 10 anos na garagem: buscar o que ninguém fez ainda, inclusive quando esse "ninguém" é você mesmo.

Ocala, março de 2026: a chave da cidade

Rodney Mullen souriant entouré de deux jeunes skateurs au bord d un bowl
O moleque tímido demais pra ficar na van da Bones Brigade hoje passa os sábados posando com quem está aprendendo o kickflip que ele inventou. Foto: PopTech (Wikimedia Commons, CC BY-SA 2.0).

Em 28 de março de 2026, ele cortou a fita da ampliação do skatepark de Ocala, na Flórida, a quarenta minutos de sua Gainesville natal. A cidade lhe entregou as chaves. Milhares de pessoas estavam lá. Ele não anda em contest há décadas e ainda arrasta uma multidão num condado da Flórida.

Nesse meio-tempo, ele subiu ao palco do TED na University of Southern California em 2012 pra explicar a engenheiros como se inventa — sua palestra "Pop an ollie and innovate!" roda até hoje. Emprestou a voz e os movimentos a um videogame em 2019, lançou seu próprio jogo de realidade aumentada em 2022 e continua trocando sessions com a molecada quando pedem.

Sobre o que o faz continuar, ele foi honesto no Berrics em 2014: tem medo do julgamento, não quer que o vejam envelhecer em público nem errar seus tricks na frente de todo mundo. Mas a alegria de andar de skate, diz ele, "é o que vou fazer enquanto eu puder. É quem eu sou."

Hoje, quando um moleque acerta seu primeiro kickflip num estacionamento e levanta os braços como se tivesse acabado de ganhar alguma coisa, ele geralmente não sabe que acabou de executar a ideia de um adolescente solitário trancado numa garagem da Flórida em 1983. Talvez essa seja a definição mais bonita de legado: um gesto tão compartilhado que ninguém mais pensa em quem o criou.

Você já tentou andar na sua stance invertida, nem que fosse só um push ? Conta o quanto isso pareceu impossível.Deixar um comentário

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Le lexique

  1. 1

    flatground ollie

    Sauter avec la planche sur du sol plat, sans rampe ni mur, en claquant le tail. La base de tout le skate moderne.

  2. 2

    darkslide

    Slide effectué planche retournée, grip contre l'obstacle, le skateur en équilibre sur la face inférieure du deck.

  3. 3

    Casper slide

    Figure où la planche est retournée à la verticale, un pied sous le deck, l'autre sur le tail, en glissant.

  4. 4

    primo slide

    Glisse effectuée avec la planche posée sur la tranche, roues perpendiculaires au sol, pieds en équilibre dessus.

  5. 5

    stance

    Façon naturelle de poser les pieds sur la planche : regular (pied gauche devant) ou goofy (pied droit devant).

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