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Kickflip backside: 180° e flip de uma vez só — qual dos dois sai primeiro?

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Kickflip backside: 180° e flip de uma vez só — qual dos dois sai primeiro?

Ton kickflip sort propre mais le backside flip part en biais ? Le problème n'est pas ton flick : c'est l'ordre dans lequel tu déclenches les deux gestes.

25 août 2026 · 10 min de lecture
Guillaume Martin

Rédacteur skate chez NOSK8.

Spots, portraits et culture skate française — chaque article est relu et sourcé. Trois générations de pros au compteur. Chronique mensuelle.

Ton kickflip sort propre mais le backside flip part en biais ? Le problème n'est pas ton flick : c'est l'ordre dans lequel tu déclenches les deux gestes.


Nível: Intermediário

Seu kickflip sai limpo. Não uma vez a cada dez: em toda session, no flat, num curb, andando. Você pensa que o backside flip é o mesmo movimento com meia-volta a mais. Você tenta. E o shape sai torto, meio girado, meio flipado, enquanto você aterrissa um metro do lado.

O backside flip é um kickflip e uma rotação de 180° do corpo que disparam na mesma fração de segundo. Dois movimentos, um instante só. A pergunta que trava todo mundo no mesmo ponto: qual dos dois você dispara primeiro?

A resposta é mais contraintuitiva do que parece, e explica 90% das tentativas que saem rodando torto. A gente chega lá — mas antes, você precisa entender por que sua board atravessa.

O erro que a gente vê toda hora

Você gira os ombros na hora em que estala o tail. É o reflexo natural, e é exatamente o que quebra o trick: o shape sai em varial, o tail dispara pra frente e o flip nunca termina. Você passa três sessions achando que seu flick é ruim, quando o problema aconteceu um décimo de segundo antes, nos seus ombros.

Backside flip: o que você realmente adiciona ao seu kickflip

Tutorial em vídeo: rotação backside de 180° e flip do shape no mesmo movimento

Backside quer dizer que você gira dando as costas pra direção em que está andando — você perde a trajetória de vista por meio segundo. É isso que deixa o trick tenso, bem mais que o flip em si.

Você empilha três coisas: um kickflip completo, uma rotação de 180° do corpo, e 180° de shape que precisam acompanhar seus pés sem sair girando sozinhos. Se você nunca colou um 180 limpo, comece por aí: o backside flip não é um trick de flip, é um trick de rotação dentro do qual rola um flip.

  1. Coloque os ombros em tensão ANTES de estalar — agachado, ombros abertos pra frente (lado do nose), como uma mola sendo armada. Você ainda não gira. Você carrega.
  2. Pés: back foot no fundo da concha do tail — pé da frente meio centímetro mais atrás do que no seu kickflip de sempre, e um pouco mais atravessado. Isso atrasa o flick, e é de propósito.
  3. Pop vertical, nunca de lado — você estala reto no chão. Qualquer inclinação do tail na hora do pop manda o shape em varial em vez de fazer ele girar com você.
  4. O flick sai uma fração DEPOIS do pop — num kickflip você dá o pop e o flick quase juntos. Aqui você deixa o shape subir primeiro, depois raspa em direção ao canto do nose.
  5. Desenrole: ombros primeiro, quadril depois, pernas por último — o corpo se desenrosca, não se joga. O olhar vai buscar o chão por cima do ombro de trás.
  6. Catch entre 90° e 135°, pé de trás primeiro — você trava a board com o back foot antes do fim da rotação, e seus pés terminam a meia-volta juntos.
Skatista pegando o shape com o pé de trás no fim do flip, na praça do Embarcadero em San Francisco
O catch, pé de trás primeiro: é esse movimento que para o flip antes do fim da rotação, e que separa um backside flip colado de um backside flip sofrido. Foto: Almonroth — CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons.

No lado do equipamento, dois detalhes mudam de verdade o rendimento desse trick: um tênis de camurça (o flick atrasado raspa duas vezes mais tempo que num kickflip normal) e uma lixa ainda mordendo. Lixa lisa é flick escorregando no vazio.

Por que sua board sai torta em vez de girar com você

Skatista no meio de um backside flip em campeonato: o corpo começa a rotação enquanto o shape flipa sob os pés
O instante que decide tudo: o shape terminou o flip, o corpo já está na metade da rotação, os pés esperam em cima. Foto: NCSphotography — CC BY 2.0, via Wikimedia Commons.

Quando o shape sai na diagonal, praticamente só existe uma causa: o tail foi estalado torto. Seu pé de trás, em vez de descer na vertical, sai pra fora no mesmo instante em que seus ombros arrancam. Resultado: você adiciona um scoop — o movimento que fabrica os shove-it — a um trick que não pede nenhum.

O shape faz então duas rotações ao mesmo tempo: a sua e a dele. Ele escapa pra frente, seus pés nunca mais o encontram. É a mesma mecânica que deixa o varial heelflip tão caprichoso, só que aqui o scoop é parasita: você não quer ele ali.

O teste que resolve em uma session: se filme de frente em câmera lenta. Se o tail desliza pro lado antes de tocar o chão, o problema não é o seu flick.

Pra guardar

Seu pé de trás não gira ninguém. Ele sobe o shape, ponto. A rotação vem dos ombros e do olhar. No dia em que você parar de querer “empurrar” a board pra trás com o tail, o trick destrava em duas sessions.

O timing: o flick não chega junto com o pop

Close de um flip de rua: o shape gira sozinho sob o skatista, pés no ar, logo antes do catch
Esse vão entre os pés e o shape é a janela do flick atrasado: ela dura menos de um décimo de segundo e é ali que o backside flip se ganha. Foto: Jarek Tuszyński — CC BY 4.0, via Wikimedia Commons.

Num kickflip, pop e flick são quase colados. Aqui você precisa separar os dois. Seu corpo gira, então seu pé da frente percorre um arco: se ele flica cedo demais, raspa o nose com o shape ainda no chão — ele sai rasteiro, atravessado.

A imagem mental: você dá o pop, a board sobe dez centímetros, e é que seu pé da frente vai buscar o canto. Uma fração. Em câmera lenta a diferença mal aparece, e mesmo assim é ela que separa um flip que termina de um flip que apaga no meio do caminho.

Backside flip em câmera lenta: dá pra ver o pop saindo antes do flick do pé da frente

Olhe só pro pé da frente nessa câmera lenta. Ele não faz nada enquanto o tail bate. Ele espera. Depois raspa.

Então, qual dos dois você dispara primeiro?

A rotação. Sempre a rotação. Mas não na hora que você imagina.

Você não dispara a rotação durante o pop — você arma ela antes. Essa é a resposta, e é isso que destrava o trick: no agachamento, seus ombros vão de propósito no sentido contrário da rotação, em direção ao nose. Eles estão sob tensão quando o tail toca o chão. O pop, por sua vez, continua um movimento vertical, neutro, que não gira nada. E é na subida que você solta a tensão: os ombros se desenroscam, o quadril segue, o shape acompanha porque seus pés estão em cima.

A ordem exata, a que você deve repetir pra si mesmo antes de cada tentativa: tensão → pop vertical → flick → desenrolar dos ombros → catch com o pé de trás. Cinco tempos em meio segundo. Todo mundo falha porque funde dois deles — a tensão e o pop — e transforma um backside flip num varial mal saído.

Skatista em campeonato mandando um flip trick na frente do público, corpo já aberto na rotação
Campeonato em Far Rockaway: nesse ponto, a decisão já foi tomada nos ombros, um décimo de segundo antes. Foto: Wil540 — CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.

Sua rotina de três semanas

Não busque o trick completo na primeira tentativa. Divida:

  • Semana 1 — o 180 backside sozinho, parado e depois andando. Objetivo: conseguir girar mantendo o tail perfeitamente vertical no pop. Vinte por session, não mais que isso.
  • Semana 2 — o backside flip solto. Você dá o pop, o flick, gira, e não tenta cair em cima. Você olha a board terminar o movimento no chão. Se ela termina reta e girada, você está pronto.
  • Semana 3 — o catch. Você apoia só o pé de trás, o da frente vem depois. Os primeiros roll aways vão sair sujos, tortos, colados pela metade. Mesmo assim conta.

Os tutoriais dão a impressão de que isso se aprende numa tarde. Entre a primeira tentativa e o primeiro roll away limpo, passam-se semanas — inclusive pra quem filma os tutoriais.

Onde treinar sem passar o verão inteiro nisso

Varial kickflip numa estrada plana: o shape sai torto em vez de girar com o corpo
É assim que um scoop parasita aparece: o shape sai torto sozinho enquanto o corpo não gira. Flat liso e um pouco de velocidade, é aí que isso se corrige. Foto: Oliver Herz — CC BY 3.0, via Wikimedia Commons.

Na ordem:

  1. Flat liso e uma descida bem leve — a velocidade ajuda a rotação a terminar. Buscar o trick parado é o melhor jeito de deixar ele mais difícil do que é.
  2. Um curb baixo ou uma faixa branca — pra ter uma referência visual da meia-volta. O olhar precisa de um ponto pra reencontrar.
  3. Nunca em chão sujo ou granulado — backside flip mal terminado é aterrissagem atravessada. Você quer um chão que perdoa.

E se você não confia nas suas aterrissagens, dá uma olhada na escolha de rodas de acordo com o seu terreno: num concreto parisiense castigado, rodas duras demais transformam cada saída torta em queda.

Perguntas frequentes

Precisa mandar o kickflip perfeito antes de encarar?

Perfeito não, mas constante: se você cola um kickflip a cada dois andando, você tem a base. O que mais falta, na maioria das vezes, não é o flip, é o 180 backside limpo. Muita gente chega no backside flip com um kickflip excelente e um 180 mais ou menos — e trava aí.

Meu shape gira mas não flipa, ou o contrário. Normal?

Totalmente, e até é bom sinal: quer dizer que você faz os dois movimentos, só não na ordem certa. Ele gira sem flipar, seu flick sai tarde demais ou mole demais. Ele flipa sem girar, seus ombros não estavam armados antes do pop.

O backside flip é mais difícil que o frontside flip?

Pra maioria das pessoas, sim — porque você perde a trajetória de vista durante a rotação. O frontside flip intimida mais na hora de mandar, mas é mais legível no ar. Mesmo assim, muitos skatistas colam o backside primeiro: a rotação nele é mais natural.

Quanto tempo até sair andando limpo?

Conte várias semanas de sessions regulares se o seu kickflip e o seu 180 estão sólidos, mais que isso se não estiverem. Não é um trick que destrava de uma vez: primeiro você vai colar um sujo, depois um a cada vinte tentativas, depois um a cada cinco. O primeiro roll away limpo chega sem avisar.

O backside flip não é um trick de pés, é um trick de tempo. Você não treina pra flicar mais forte — você treina pra não fazer nada por um décimo de segundo, entre o pop e o flick. É essa espera que é difícil, e é exatamente por isso que um backside flip colado se nota a dez metros.

Arma os ombros. Estala reto. Espera. Raspa.

Sua board sai torta, ou trava no meio da rotação? Descreve exatamente o que ela faz, a gente diagnostica. Fala nos comentários ↓

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Le lexique

  1. 1

    backside

    Sens de rotation où le skateur tourne en présentant son dos à la direction dans laquelle il roule.

  2. 2

    pop

    Le coup de pied arrière qui claque le tail au sol et fait décoller la planche. C'est la base de tous les tricks aériens.

  3. 3

    flick

    Le coup de pied avant qui gratte le coin du nose vers l'extérieur et déclenche la rotation de la planche sur elle-même.

  4. 4

    scoop

    Geste du pied arrière qui pousse la planche latéralement. Il crée les shove-it, mais il parasite un backside flip.

  5. 5

    catch

    Le moment où les pieds rattrapent la planche en vol pour stopper sa rotation avant la réception.

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