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O skate vende 1,1 bilhão de dólares — e a sua loja fecha: de quem é a culpa?

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O skate vende 1,1 bilhão de dólares — e a sua loja fecha: de quem é a culpa?

Trois skateshops indépendants ont baissé le rideau en six mois pendant que le marché du skate signait ses meilleurs chiffres. On a lu les dossiers : voilà où part l'argent, et qui décide vraiment.

9 septembre 2026 · 10 min de lecture
Guillaume Martin

Rédacteur skate chez NOSK8.

Spots, portraits et culture skate française — chaque article est relu et sourcé. Trois générations de pros au compteur. Chronique mensuelle.

Trois skateshops indépendants ont baissé le rideau en six mois pendant que le marché du skate signait ses meilleurs chiffres. On a lu les dossiers : voilà où part l'argent, et qui décide vraiment.

Em 18 de junho de 2026, uma empresa fundada em 1997 entrou com pedido de falência no tribunal do Colorado. 303 Boards, três décadas de skate em Denver, uma parede de shapes que gerações de moleques olharam sonhando. No processo: mais de 705 mil dólares em dívidas, cerca de 85 mil dólares em ativos. Oito vezes mais buraco do que dinheiro em caixa.

No mês anterior, eles tinham fechado a loja de Boulder depois de sete anos. O presidente, Sam Schuman, foi a público dizer o que todo mundo no meio repete na surdina: uma loja de bairro não tem mais como brigar. E enquanto ele escrevia isso, o mercado do skate estava fazendo os melhores números dos últimos anos.

705 mil dólares de dívida contra 85 mil de ativos: o processo que acendeu o alerta

Skate Shops in America are CLOSING, This is why...

O detalhe que importa nesse processo não é o valor. É a lista de credores. No topo: Shopify Capital, PNC Bank, Fenix Capital Funding. Não são marcas. Não é um fornecedor de shapes. São financeiras.

Tradução: a loja não afundou comprando shape demais. Afundou pegando dinheiro emprestado para segurar o caixa entre uma temporada e outra. Você compra o estoque de verão em março, vende em julho, e no meio do caminho paga aluguel, luz, salário. Essa defasagem aí se financia. E custa caro.

Placa de liquidação total na fachada de um comércio independente depois de trinta anos de atividade
« Liquidação total — tudo tem que sair — foram 30 anos maravilhosos. » Não é um skate shop, é uma loja de discos independente do Oregon: a placa é a mesma, a pilha de dívidas também. Foto: Rick Obst — CC BY 2.0, via Wikimedia Commons.

Para ser exato, a 303 Boards não sumiu: duas lojas ainda seguem de pé em Denver, mais o site. Mas quando uma marca de 1997 passa pelo Chapter 11, já não é um acidente isolado. É sintoma.

Eles não quebraram comprando shape demais. Quebraram pegando empréstimo para chegar até a próxima temporada. — O que diz o processo, linha por linha

Mas você lembra do cheiro, né. A lixa nova em cima do balcão, o estilete acompanhando a borda do shape, aquele barulho de lixa passando para arredondar os cantos. A prateleira de rolamentos atrás do caixa. A TV pendurada alto demais passando a mesma part há seis meses. E o cara soltando « viu, chegou o novo da Baker » quando você só tinha ido comprar parafuso. A gente não ia na loja. A gente ficava por lá.

Janeiro, março, junho: três portas fechadas em seis meses

Antiga fachada da Orchard Skateshop em Allston, Boston, hoje ocupada por uma loja de móveis de preço baixo
Harvard Avenue, em Allston (Boston). Aqui era a Orchard Skateshop. Hoje é « Discount Prices — Futons, Beds, Dinettes ». Uma loja que fecha não deixa um vazio: deixa outro comércio no lugar. Foto: Ethan Long — CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons.

Janeiro de 2026: a First Gear Skateshop anuncia o fechamento definitivo. Um negócio de família. O texto publicado pelos donos diz exatamente isso: « as mudanças do setor, a pressão econômica e o custo cada vez maior de uma loja física ». Três causas, e nenhuma delas é falta de cliente.

Março de 2026: a Coast Skate baixa as portas depois de doze anos. Peter e Renee, que tocavam a loja, explicam que trabalhavam seis dias por semana e que não aguentavam mais. Sem plano de demissão, sem alguém para assumir. Só duas pessoas no limite.

No mesmo mês, na França, a L'Appart Skateshop publica no Instagram o anúncio do próprio fechamento definitivo. O formato é sempre o mesmo: um texto longo, agradecimentos, uma foto do crew atrás do balcão. Parece uma carta. E é.

Três casos em seis meses, em dois continentes, e a frase se repete palavra por palavra: não foi a paixão que cedeu, foi a matemática.

1,1 bilhão de dólares em skate vendido, e não por eles

Parede de shapes de skate pendurados em uma loja, estoque parado antes da venda
Uma parede dessas é bonita e é mercadoria já paga. Cada shape pendurado ali é dinheiro que saiu do caixa e está esperando comprador. Foto: Alimul DOB — CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.

É aqui que a coisa fica sinceramente irritante. Os dados do setor divulgados em junho de 2026 pela ShreddER colocam as vendas no atacado de skate e surf acima de 1,1 bilhão de dólares em 2025, em forte alta. O skate nunca vendeu tanto.

Na Zumiez, a rede listada em bolsa, o terceiro trimestre de 2025 marcou 239,1 milhões de dólares em vendas contra 222,5 no ano anterior. Lucro líquido: 9,2 milhões, contra 1,2. No fim de semana da Black Friday, +8,7%. O CEO fala em « vendas a preço cheio » e diz que os hardgoods — shapes, trucks, rodas — estão voltando a girar no mundo inteiro.

Ou seja, a demanda existe. A molecada está comprando shape. Não é uma crise do skate, é uma crise da máquina registradora: a grana circula, só não para mais no balcão da loja de bairro.

Faça a conta você mesmo. Uma parede com sessenta shapes a 70 € cada dá mais de 4 000 € de mercadoria pendurada em prego, paga adiantado, que não rende nada enquanto estiver ali. Sabendo que um setup completo custa 217 € hoje, dá para entender que a loja precisa vender uma quantidade absurda de material só para pagar o aluguel antes de pagar a si mesma.

Não é uma crise do skate. É uma crise da máquina registradora. — 1,1 bilhão vendido, três lojas fechadas

O tênis mudou de prateleira — e foi isso que enterrou o negócio

Chris Cole dá autógrafos na frente de um skate shop cercado de skatistas, com uma parede de tênis ao fundo
Uma sessão de autógrafos na porta de uma loja em Roterdã: é isso que nenhum site de venda sabe fabricar, e é exatamente isso que some junto com a porta fechada. Foto: Wouter Engler — CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.

Em abril de 2026, Don Brown — trinta anos na indústria do tênis de skate, hoje na Nidecker — fez o diagnóstico sem rodeios. Antes, os tênis de skate eram feitos por marcas montadas por skatistas, e eram vendidos nas lojas. Ponto. Hoje o mercado pertence ao swoosh e às três listras, e os modelos deles estão na prateleira de qualquer loja de artigo esportivo.

Só que o tênis é a margem da loja. Um shape rende pouco e acaba rápido. Um par de 100 ou 140 € como o Old Skool 36 Souvenir é o que paga a conta de luz. No dia em que o moleque compra o par em três cliques no site da marca, ou no shopping, a loja perde o produto mais rentável e fica com o menos rentável.

Braydon Szafranski já dizia isso em 2025, do jeito dele: « a molecada de hoje nem sabe o que era um skate shop ». Ele contava que entrava numa loja e não reconhecia uma única marca na parede. Tudo chega pelo correio. Não existe mais motivo para empurrar aquela porta.

De quem é a culpa, então: quatro responsáveis, e o quarto se parece com você

Letreiro da Greenhouse Boardshop visto de baixo, acima da entrada da loja
Um letreiro em cima de uma porta, em Blacksburg (Virgínia). Dos quatro responsáveis da lista a seguir, existe exatamente um que decide se essa porta continua abrindo. Foto: Ben Schumin — CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons.

Prometemos uma resposta, aqui está ela, do mais pesado ao mais leve.

Um: as marcas que vendem direto. São elas que criaram a concorrência mais desleal possível — definem o preço de atacado que a loja paga e depois vendem para o mesmo cliente, no preço de varejo, sem aluguel nem vendedor para bancar. Algumas entenderam e estão se corrigindo: em 21 de fevereiro de 2026, a Nidecker simplesmente tirou do ar os sites da etnies e da Emerica durante todo o Skate Shop Day para mandar os compradores de volta às lojas. Um gesto raro, e que diz tudo sobre o problema.

Dois: a banalização do tênis. No dia em que um tênis de skate virou produto de moda vendido em todo canto, o modelo econômico da loja independente afundou abaixo da linha d'água. Não é traição, é mercado. Isso não torna a coisa menos fatal.

Três: o custo da loja e o crédito de curto prazo. Aluguel, energia, estoque pago adiantado, seis dias por semana. E aí Shopify Capital e companhia para tapar os buracos. No fim, a loja trabalha para quitar a própria defasagem de caixa.

Quatro: você. E aqui não dá para fingir. Você vai ver o shape ao vivo, pega na mão, pede conselho pro cara do balcão, aí volta pra casa e encomenda 8 € mais barato num site alemão. Isso se chama showrooming, acontece em todo tipo de comércio, e no skate termina exatamente no que acabamos de descrever. Ninguém vai te julgar por 8 €. Mas a conta chegou.

O que isso muda para você, na prática

Cartaz do Skate Shop Day chamando para apoiar o skate shop do seu bairro
O cartaz do Skate Shop Day, a ação criada para trazer os skatistas de volta para dentro da loja. Foto: PaulVale1984 — CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.

Sem loja na sua cidade, você perde quatro coisas bem concretas, e nenhuma delas se compra online.

A lixa colada direito e os trucks montados no aperto certo antes de você sair. A troca sem discussão quando o shape entorta depois de três sessions. O cara que fala « não leva esse shape, leva esse aqui, você é pesado demais pra essa fôrma ». E o mural de cortiça perto do caixa com os avisos da session de domingo, os campeonatos locais, os moleques procurando alguém pra filmar.

Tira isso e sobra um catálogo. Catálogo não te apresenta ao crew que anda a três quarteirões da sua casa. Não patrocina o moleque de 14 anos do bairro. Não empresta uma chave T pra quem quebrou um truck.

E ainda tem loja. Muitas, inclusive. Lojas que seguem porque apertaram os dentes, montaram uma oficina de reparo, abriram um bowl nos fundos, ou lançaram a própria marca de shapes para parar de depender das grandes. O Skate Shop Day existe desde 2019 e acontece todo ano em fevereiro. Não é coisa de saudosista: é o único dia em que parte da indústria admite em público de onde veio.

O resto é óbvio: quando a loja fecha, o próximo rolê é marcado no Instagram, o próximo shape é comprado por foto, e o próximo moleque que está começando fica sozinho com o skate mal montado. Já vimos no que dá quando a atenção migra inteira para a tela: funciona, mas não substitui nada.

Então sim, a culpa é dividida. Mas entre os quatro responsáveis listados aí em cima, existe exatamente um sobre o qual você tem controle. Seu próximo par de tênis, seu próximo shape: compre no balcão, mesmo que custe 8 € a mais. É o preço de um lugar que ainda existe quando você empurra a porta.

Ainda tem skate shop na sua cidade, ou fechou ? Manda o nome, a gente vai lá ver. Conta nos comentários ↓

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Le lexique

  1. 1

    hardgoods

    Le matériel dur d'un skate : la planche, les trucks, les roues et les roulements, par opposition aux chaussures et aux vêtements.

  2. 2

    showrooming

    Aller voir et essayer un produit en boutique, puis l'acheter moins cher en ligne juste après.

  3. 3

    prix de gros

    Le prix auquel un magasin achète un produit à la marque, avant de le revendre au public avec sa marge.

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