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Lizzie Armanto mandou a loop do Tony Hawk em 2018: por que se fala tão pouco dela?

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Lizzie Armanto mandou a loop do Tony Hawk em 2018: por que se fala tão pouco dela?

Première femme à boucler la loop de Tony Hawk, or au premier park féminin des X Games, part chez Vans. Et pourtant son nom ne circule pas. Voilà pourquoi.

2 septembre 2026 · 9 min de lecture
Guillaume Martin

Rédacteur skate chez NOSK8.

Spots, portraits et culture skate française — chaque article est relu et sourcé. Trois générations de pros au compteur. Chronique mensuelle.

Em 2018, uma skatista de 25 anos entra num tubo de madeira de 360 graus, atravessa de cabeça para baixo e sai de pé do outro lado. Primeira mulher da história a mandar a loop do Tony Hawk. O Good Morning America faz uma matéria. A L'Équipe sobe o vídeo. Seu parceiro joga o link no grupo do crew com três pontos de exclamação.

O nome dela é Lizzie Armanto. Americana por parte de mãe, finlandesa por parte de pai, nascida em 1993, anda de skate desde 2007. Um tênis com o nome dela na Vans. Uma vaga no time Birdhouse do Tony Hawk. Um ouro nos X Games. Mais de trinta títulos.

Agora faz o teste na pista da sua cidade. Pergunta quem é. Conta as respostas. Não é esquecimento — é sintoma, e ele diz algo bem sujo sobre a forma como o skate conta as próprias histórias.

2018: ela manda a loop, e o mundo fala disso por quarenta e oito horas

A loop do Tony Hawk não é um obstáculo de pista. É um anel de madeira fechado, montado na propriedade do Hawk, que só algumas dezenas de pessoas passaram desde que foi construído. Você entra a toda velocidade, passa de cabeça para baixo, e se perder um décimo de segundo de velocidade lá em cima, cai de vários metros em cima do compensado.

Armanto quebrou a cara em tentativa atrás de tentativa antes de mandar. O clipe rodou o mundo no verão de 2018: TV americana, imprensa esportiva francesa, repost sem parar nos perfis de skate. Durante dois dias, uma skatista de bowl foi a pessoa mais assistida do skate mundial.

E aí o ciclo passou para outra coisa.

Lizzie Armanto manda a loop do Tony Hawk, o vídeo repercutido pela L’Équipe
A loop inteira. Oito segundos que rodaram o mundo em 2018 — e que a maioria das pessoas viu sem guardar o nome de Lizzie Armanto. Fonte: L’Équipe.

Santa Monica, 2007: ela escolhe o terreno de que ninguém fala

Armanto começou a andar aos catorze, com o irmão mais novo, na pista de Santa Monica. Ela não escolheu o street. Escolheu os bowls e o vert — as curvas, o coping, a velocidade.

É um detalhe que decide todo o resto. Desde os anos 90, a narrativa do skate se escreve na rua: as parts de vídeo, os corrimãos, os crews, os picos urbanos que todo mundo conhece de cor. O bowl vem de outra linhagem — a das piscinas vazias da Califórnia, das rampas de quintal, dos shapes largos old school que a cena de transição nunca guardou de verdade no armário.

Dois mundos, dois públicos, duas formas de fabricar lendas. E só um dos dois tem uma máquina de contar história que ainda gira a todo vapor.

Lizzie Armanto num aéreo por cima do coping numa rampa, o terreno de bowl e transição que ela escolheu
Armanto por cima do coping, Copenhague 2015. O terreno que ela escolheu aos catorze: curva, velocidade e uma galera que prende a respiração. Crédito: Stig Nygaard, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons.

A carreira de Lizzie Armanto em cinco viradas

Carreira

  1. 2013Lizzie Armanto leva o ouro no primeiro park feminino dos X Games, BarcelonaX GamesOuro no primeiro park feminino da história dos X Games, em Barcelona. Ela tem vinte anos.
  2. 2017Lizzie Armanto na sua part Fire para a ThrasherThrasherVirada pro e part Fire na Thrasher. A capa da revista vem logo no primeiro ano como profissional.
  3. 2018Lizzie Armanto, primeira mulher a mandar a loop do Tony Hawk, na televisão americanaGMAPrimeira mulher a mandar a loop do Tony Hawk. A matéria vai parar na TV americana, muito além da mídia de skate.
  4. 2019Lizzie Armanto no episódio de Loveletters do Jeff Grosso dedicado à cena de transição delaVansEpisódio de Loveletters com Jeff Grosso. Bronze nos X Games Minneapolis no mesmo ano.
  5. 2022Lizzie Armanto na sua part Onward para a Vans, depois da lesãoVansPart Onward pela Vans, depois de uma longa retomada. Ela continua andando.

Barcelona 2013: campeã do primeiro park feminino, e depois?

Ela tem vinte anos quando os X Games finalmente abrem uma prova de park para mulheres, em Barcelona. Ela vence. Ou seja: é, literalmente, a primeira campeã da história da categoria.

Refaz a cena com um skatista de street: imagina o primeiro vencedor de um formato inaugural na Thrasher ou na Street League. O nome dele estaria gravado em todo canto, citado em cada retrospectiva, ressuscitado a cada aniversário da prova. Aqui, ficou como uma linha de currículo.

Três anos seguidos antes disso — 2010, 2011, 2012 — ela já tinha terminado em primeiro na classificação geral da World Cup of Skateboarding. Prata nos X Games Austin em 2016, bronze em Minneapolis em 2019, vitória no Van Doren Invitational em 2014, vitória no Combi Classic em 2019. Um currículo que, em qualquer outro esporte, renderia uma página de enciclopédia e dois documentários.

A mega rampa, o tombo, e dois anos juntando os cacos

Aí veio a mega rampa. Numa tentativa, ela leva um tombo violento — forte o bastante para sumir de circulação por meses. Ela mesma falou disso em 2021, no podcast do Tony Hawk com o Jason Ellis: a queda, a reabilitação, e o momento em que você finalmente sobe de novo no skate sem o corpo dizer não.

Lizzie Armanto conta o tombo na mega rampa e a retomada dela
Armanto conta ela mesma o tombo na mega rampa e os meses de retomada, no programa do Tony Hawk com o Jason Ellis (2021). Escuta dois minutos: é a história que nenhuma mídia de skate carregou.

É o tipo de episódio que, num skatista de street, geraria uma part de retorno esperada por dois anos e comentada por seis meses. Nela, gerou Onward — uma part linda lançada pela Vans em setembro de 2022 — e praticamente nenhum eco fora do círculo da transição.

Tóquio, 14ª nas eliminatórias: o momento em que o park achou outros rostos

Ela entra na seleção finlandesa em janeiro de 2019 mirando os Jogos. Em 4 de agosto de 2021, em Tóquio, ela disputa as eliminatórias do park feminino e termina em 14º com 30,01 pontos. Sem final.

Naquele dia, o pódio fica com Sakura Yosozumi, Kokona Hiraki e Sky Brown. Treze, dezenove e treze anos. A narrativa já estava escrita e era irresistível: adolescentes mandando mais forte que adultas. Armanto tinha vinte e oito anos, uma carreira nas costas, uma história menos fácil de contar em quarenta segundos de matéria de TV.

Sky Brown medalhista, o rosto que o park feminino colocou na frente enquanto se falava pouco de Lizzie Armanto
Sky Brown e a medalha dela. O park feminino achou rostos olímpicos ultrafotogênicos — e Armanto, 28 anos em Tóquio, não cabia nesse enquadramento. Crédito: Andymiah, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.

Desde então, o park feminino existe na mídia: tem suas medalhas, seus rankings, seus nomes. Os mesmos nomes. Na França, a cena feminina de bowl se encontra no Prado todo ano sem nunca transbordar do meio, enquanto o street feminino japonês limpa os pódios da SLS diante de audiências que, essas sim, dá para contar.

O que a cena de transição não sabe contar sobre si mesma

Aqui está a resposta, e ela não é confortável.

Fala-se pouco de Lizzie Armanto porque o skate tem exatamente duas máquinas de fabricar lendas, e ela não cabe em nenhuma das duas.

A primeira máquina é a part de vídeo. O street industrializou isso há trinta anos: uma part sai, circula, é recortada, é revista quadro a quadro, é comentada por meses. Ela cria dívidas de memória. Uma part de street você cita dez anos depois e todo mundo sabe do que você está falando.

A segunda máquina é o contest. Um ranking, um pódio, uma medalha, um número. Os Jogos plugaram o park nisso com tudo — e o park ganhou uma visibilidade enorme, mas ao preço de uma narrativa que só guarda os três do domingo à noite.

A loop não cabe em lugar nenhum. Não é contest: nenhum ranking a contabiliza, nenhuma medalha a coroa. Também não é uma part: é um feito único, que se assiste uma vez, se entende em oito segundos, e não dá para recortar de novo. Então ela fez o que fazem os feitos sem gaveta — explodiu na mídia grande, depois caiu, porque ninguém dentro do meio tinha ferramenta para sustentar aquilo no tempo.

E é aí que aparece o buraco de verdade. O street tem a Thrasher, os rough cuts, os crews, as revistas, cinquenta canais comentando. A transição tinha o Jeff Grosso e o Loveletters — o único lugar onde a cultura de bowl e vert se contava como cultura, com seus ancestrais, suas piscinas e suas brigas. Grosso, aliás, dedicou um episódio inteiro à Armanto em 2019. O Loveletters parou em 2020. Nada ocupou o lugar.

Lizzie Armanto fala do crescimento do skate feminino e da cena de transição dela
Armanto sobre o crescimento do skate feminino (2025). Ela fala da própria cena melhor que ninguém — desde que alguém vá buscá-la lá no Canadá para entrevistar.

Uma cena sem mídia é uma cena sem memória. Seus campeões nunca viram lendas — continuam sendo resultados.

Hoje, quando você vê uma moleca de quinze anos mandando um frontside air limpo por cima do coping no bowl da sua cidade, tem boa chance de ela ter visto a loop da Armanto passar no celular sem nunca guardar o nome. É exatamente esse o problema. A manobra circula, a pessoa não.

Então da próxima vez que você desenterrar uma part velha para se animar antes de um rolê, ou ficar falando dos shapes largos que estão voltando com os antigos da pista, joga o nome dela na conversa. É assim que as cenas constroem memória: não com medalhas, com gente repetindo nomes.

Você já conhecia a Lizzie Armanto antes deste artigo? E se não, qual skatista de bowl merece um texto só dela? Manda o nome.Deixar um comentário

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Le lexique

  1. 1

    loop

    Boucle de bois fermée sur 360 degrés : on la traverse tête en bas, et seule la vitesse empêche de décrocher.

  2. 2

    transition

    Toute surface courbe qu'on skate — rampe, bowl, piscine. S'oppose au street, qui se pratique sur du plat et des obstacles urbains.

  3. 3

    coping

    Le tube métallique qui borde le haut d'une rampe ou d'un bowl. C'est là que se posent les grinds et les airs.

  4. 4

    mega ramp

    Structure géante avec un saut et un quarter de plus de vingt mètres. Vitesse extrême, chutes très longues.

  5. 5

    part

    Séquence vidéo consacrée à un seul skateur dans un film de skate. La monnaie de la reconnaissance dans le milieu.

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