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Fakie bigspin: o shape gira 360°, você 180° — quem sai primeiro?

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Fakie bigspin: o shape gira 360°, você 180° — quem sai primeiro?

La planche a 360° à parcourir, toi 180°. Le repère précis pour savoir quand lâcher les épaules, les 4 fails classiques et le drill qui règle le timing en une session.

18 septembre 2026 · 8 min de lecture
Guillaume Martin

Rédacteur skate chez NOSK8.

Spots, portraits et culture skate française : chaque article est relu et sourcé. Trois générations de pros au compteur. Chronique mensuelle.

La planche a 360° à parcourir, toi 180°. Le repère précis pour savoir quand lâcher les épaules, les 4 fails classiques et le drill qui règle le timing en une session.

Você vem de fakie, dá o pop, e duas coisas têm que sair: o shape em 360°, você em 180°. No papel, ao mesmo tempo. Na vida real, "ao mesmo tempo" não existe. Um sai antes do outro, e enquanto você não descobrir qual, vai passar os rolês inteiros catando o shape três metros adiante.

Você conhece os dois finais possíveis. Versão A: o shape gira redondinho, você ainda de costas, só vendo ele ir embora. Versão B: você girou, ele não: 180 e para ali, atravessado.

Nunca é questão de força nem de altura de pop. Um fakie bigspin de 15 cm passa numa boa. É questão de ordem. A gente destrincha o movimento, os quatro erros clássicos, o drill que resolve isso num rolê só — e a resposta do timing, certinha, no fim do artigo.

Nível

Intermediário

Tempo

5-15h

Pré-requisitos

Fakie ollie, pop shove-it

Piso

Flat liso, rolando leve

Um trick batizado por causa de um jogo de loteria

How To: Fakie Bigspin — o movimento completo em vídeo

Um bigspin é uma soma: o shape faz 360°, o skatista faz 180°, no mesmo sentido. Duas rotações, um pop só. É isso, e já é bastante.

O nome não vem do skate. Vem de um jogo da loteria da Califórnia, The Big Spin. O cara que batizou o trick estava vendo Brian Lotti, nascido em 1972, mandar a part Now'N Later - 1991 pela Planet Earth, e achou que "Lotti" soava como lottery. Ninguém nunca corrigiu.

Bigspin: o shape gira 360° embaixo do skatista enquanto ele gira 180°
A soma de um bigspin numa imagem só: 360° pro shape, 180° pro skatista, um pop só. Ele tem o dobro de caminho pra fazer, e é aí que nasce toda a questão do timing. Foto: Jarek Tuszyński, Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

A versão fakie acrescenta o detalhe que deixa o trick viciante: você entra andando de ré e sai no sentido normal. Seu 180 te recoloca de frente. É por isso que ele aparece em toda linha — não quebra o flow, relança.

Leia também: O ollie em 6 passos, a base sem a qual nada disso se sustenta.

O que gira, e em que sentido

O scoop do pé de trás que lança os 360° do shape enquanto o corpo espera
O momento exato em que tudo se decide: o shape entra em rotação embaixo dos pés, o corpo ainda está de costas. Os 360° do shape já saíram, os 180° do skatista nem começaram. Foto: Jarek Tuszyński, Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

Antes de falar de timing, é preciso saber o que produz o quê. Num bigspin, cada grau tem uma causa precisa, e ela não está no pop.

  1. Os pés: o pé de trás sobra pra fora

    Pé de trás no tail, não centralizado: os dedos passam um pouco da borda. É essa sobra que te deixa varrer. Pé da frente chapado, um pouco mais atrás do que num fakie ollie normal: você precisa ter espaço na frente dele.

  2. A armação: você estica o elástico

    Antes do pop, você abre os ombros no sentido contrário ao da rotação. Não muito: um quarto de giro de tronco, braços baixos e perto do corpo. Você ainda não gira, você carrega. Toda a rotação do seu corpo vai sair daí, e não de um puxão de quadril no ar.

  3. O pop e o scoop: um gesto só

    Você bate o tail e, no mesmo movimento, varre o pé de trás pra trás, do lado do calcanhar. É esse scoop que faz os 360°. O pop sozinho te dá altura; o scoop dá a rotação. Um shove-it clássico gira 180 porque a varrida para no meio do caminho. Aqui você vai até o fim, com o pé saindo do shape pra trás.

  4. A soltura dos ombros

    O elástico relaxa. Seus ombros abrem, o tronco sai, o quadril acompanha. Uma referência só: isso acontece DEPOIS do scoop, não durante. A gente volta nisso em detalhe mais pra baixo, é toda a questão deste artigo.

  5. O pé da frente espera, não vai atrás

    Erro grande: sair atrás do shape com o pé da frente. Ele fica no ar, joelho levantado, por cima da zona onde o shape reaparece. É ele que volta embaixo do seu pé. Se você for atrás, aterrissa do lado.

  6. A aterrissagem: você sai pra frente

    Você põe os dois pés em cima dos parafusos quando o shape fechou os 360 e você fez seus 180. Joelhos dobrados, peso no centro. Você vinha de ré, sai pra frente: é o presente do fakie bigspin, ele te devolve no sentido normal.

Os 4 erros clássicos e como corrigir

Erro clássico do fakie bigspin: o corpo terminou os 180° antes de o shape fechar os 360°
O erro que você vai cometer cem vezes: o corpo fechou os 180°, o shape ainda está girando. Um pé cai do lado, o skate segue sozinho. Foto: Jarek Tuszyński, Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

Os 4 erros clássicos

  • O shape para no 180: seu scoop é curto demais. Você dá o pop e tira o pé pra cima em vez de varrer pra trás. Exagera: termina o gesto como se quisesse mandar o calcanhar pra trás de você.
  • Você gira, o shape não: você soltou os ombros antes do scoop. Seu corpo sai, o pé de trás acompanha o movimento do tronco e não varre mais nada. Manda dez fakie shove-it 360 sem girar nada, só pra reencontrar o gesto do pé.
  • O shape foge na sua frente: você faz o scoop na diagonal pra frente em vez de pra trás, ou seu pop está fora do eixo. Confere se o tail bate chapado, e não num canto.
  • Um pé na lixa, outro no vácuo: seu pé da frente foi atrás. Deixa ele no ar em cima do ponto onde o shape volta, e olha pros parafusos, não pro nose.

O drill que resolve o timing num rolê só

Decompor o fakie bigspin: o scoop do pé de trás treinado sozinho antes de acrescentar a rotação do corpo
A parte que todo mundo pula: isolar o scoop que dá os 360° do shape, sem pedir nada pro corpo. Três aterrissagens limpas antes de acrescentar os 180°. Foto: Wendelin Jacober, Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
Fakie bigspin decomposto: scoop do pé de trás e depois rotação do corpo

O fakie bigspin não se aprende inteiro. São dois gestos que a gente aprende separados antes de colar. Nesta ordem.

Passo 1 — o fakie 360 shove-it, sozinho. Você dá o pop, faz o scoop até o fim e deixa o corpo perfeitamente parado de frente. O shape dá a volta completa embaixo de você e você o pega de volta sem ter girado um grau. Enquanto não tiver três aterrissagens limpas seguidas, não acrescenta nada. É esse drill que te ensina a velocidade de rotação do seu shape, e é essa velocidade que vai ditar o seu timing.

Passo 2 — o fakie 180 do corpo, sem rotação do shape. Um fakie ollie simples com 180 de tronco, o skate acompanhando sem girar sozinho. O princípio é o mesmo do backside 180, em que o tronco sai antes do shape. Guarda bem essa frase, porque no bigspin é exatamente o contrário.

Passo 3 — você cola. Scoop primeiro, ombros depois. E aí você vai perceber que a pergunta não é mais "como", e sim "quando".

Então, quem sai primeiro?

O shape. Sempre. Sem exceção, em todos os bigspins, fakie ou não.

E não é preferência de estilo, é mecânica. Seu shape tem 360° pra percorrer, você 180°, metade. Se vocês saírem juntos, você termina sua rotação quando ele está na metade da dele, e fica vendo ele fechar a volta sem você. O atraso do corpo não é um defeito a corrigir, é o ajuste.

A referência exata, aquela que você pode aplicar já no próximo rolê: seus ombros se soltam quando o shape já deu o primeiro quarto de volta, mais ou menos 90°. Não no pop. Não quando você sente o tail estalar. Um tiquinho depois, quando o nose já começou a passar na sua frente.

Na sensação é ainda mais simples: você tem que sentir a varrida na panturrilha de trás antes de sentir o ombro da frente abrir. Duas informações, dois momentos, nunca um só. Se as duas chegam juntas, você está atrasado em relação ao shape: ele não teve tempo de engatar e seu corpo arrasta ele.

Isso se conta em décimos: com altura de pop normal, tem menos de um décimo de segundo entre o scoop e a soltura. É por isso que não se pensa, se repete até o corpo saber. O drill do passo 1 serve pra isso e pra mais nada.

Aterrissagem de um fakie bigspin: os dois pés nos parafusos depois dos 360° do shape e dos 180° do corpo
A única imagem que importa: os dois pés nos parafusos, o shape fechou os 360°, você os seus 180°, e você sai no outro sentido. O corpo chegou depois do shape, e é por isso que fica de pé. Foto: Jarek Tuszyński, Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

Depois que o timing entra, ele não te abandona mais. É a porta de entrada pro fakie bigspin flip e pro tre flip, que se apoia no mesmo scoop levado até o fim. E no dia em que você mandar ele rolando, entende por que todo mundo coloca ele no fim de linha: você termina de frente pra continuação do pico, pronto pra emendar.

O seu fakie bigspin desanda no scoop ou nos ombros? Conta em que momento ele te trai. Manda aí nos comentários ↓

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Le lexique

  1. 1

    fakie

    Rouler en arrière en gardant sa position de pieds habituelle. Le tail passe devant, le nose derrière.

  2. 2

    scoop

    Balayage du pied arrière vers l'arrière au moment du pop. C'est lui qui donne sa rotation à la planche.

  3. 3

    tail

    L'extrémité arrière relevée de la planche, celle qu'on frappe au sol pour décoller.

  4. 4

    pop shove-it

    Figure où la planche tourne à 180° sous les pieds après un pop, sans que le rider tourne.

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