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★ Chroniques · Opinion
10 tricks explodiram um contest — só um mudou o skate de verdade
Du 900 de Tony Hawk en 1999 aux sept notes à 9+ de Ginwoo Onodera à Sydney : le classement des 10 tricks de contest, et celui qui a réellement changé le skate.
Du 900 de Tony Hawk en 1999 aux sept notes à 9+ de Ginwoo Onodera à Sydney : le classement des 10 tricks de contest, et celui qui a réellement changé le skate.
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No dia 15 de fevereiro de 2026, na Ken Rosewall Arena, em Sydney, mais de 10 mil pessoas viram algo que a Street League nunca tinha visto desde que nasceu, em 2010. Ginwoo Onodera, japonês, dezesseis anos completados naquele exato dia, cravou sete tentativas na noite. Sete notas: 9,1 — 9,4 — 9,1 — 9,2 — 9,5 — 9,0 — 9,2. Nenhuma abaixo de 9. Placar final: 37,3. Julian Agliardi terminou com 35,5, Giovanni Vianna com 34,7. A perfeição em forma de nota, ao vivo, numa noite de fevereiro.
E mesmo assim. Daqui a dez anos, provavelmente não vai ser essa noite que o pessoal vai citar quando falar do trick de contest que mudou tudo. A gente ranqueou dez — do mais insano ao mais decisivo, de 1983 até esse fevereiro de 2026. Só um fez o skate se mexer de verdade fora do skate. Não é o que gira mais rápido, e a resposta está no final.
27 de junho de 1999: dez quedas, um cronômetro já zerado

X Games V, San Francisco, bateria de Best Trick na rampa de vert. O formato previa tempo limitado. O tempo tinha acabado fazia um bom tempo, e ninguém interrompeu nada: os juízes deixaram rolar, os outros riders ficaram na plataforma, o público não saiu do lugar.
Tony Hawk tenta suas duas voltas e meia. Cai. Sobe de novo. Cai de novo. Duas vezes ele volta em cima do shape e o skate escapa sozinho. Dez tentativas no chão antes de a décima primeira passar, braços girando feito hélice, uma mão raspando o concreto da rampa. Naquela noite, o primeiro 900 da história foi cravado na frente de uma câmera ligada.
O que ficou dessa sequência não é a técnica. É o fato de que gente que nunca tinha segurado um skate entendeu, na hora, que acabava de ver algo inédito. Não precisava de narração nenhuma.
Dez quedas na frente de todo mundo, ao vivo, fora do tempo. Foi isso que a história guardou — não a manobra. — O que o 900 realmente vendeu
Antes de Hawk: 34 contests ganhos em 35, e ninguém filmando
Voltando a fita. Em 1980, um moleque de quatorze anos se inscreve no Oasis Pro e vence o então campeão mundial. O nome dele é Rodney Mullen. Na década seguinte, ele ganha 34 dos 35 contests de freestyle que disputa. O tipo de sequência que nenhum esporte vê duas vezes.
Só que o freestyle é no chão plano, na frente de duzentas pessoas, sem arquibancada nem transmissão. Zero espetáculo no sentido televisivo da coisa. O que sai desses contests, por outro lado, é o alfabeto: kickflip e heelflip em 1982, 360 flip em 1983. Cada trick que você vê num corrimão hoje descende dessas manobras cravadas no asfalto plano na frente de um júri de camisa polo.
É o paradoxo deste ranking: o trick mais importante tecnicamente nunca é o que faz uma arena gritar.
1080, 1260: a corrida das voltas, e o que ela custou
Em 8 de maio de 2020, Gui Khury crava o primeiro 1080 numa rampa de vert. Ele tem onze anos, está em casa, em Curitiba, e não tem contest nenhum — só a rampa dele e uma câmera. Quatorze meses depois, em 16 de julho de 2021, ele repete a dose no Best Trick dos X Games: primeiro 1080 em competição, e aos doze anos ele vira o medalhista de ouro mais jovem da história dos X Games.
Dois anos antes, em agosto de 2019, Mitchie Brusco tinha mandado o primeiro 1260 no Big Air, aos vinte e dois anos. Três voltas e meia. No papel, é mais difícil que o 900. Na memória, pesa bem menos — e é exatamente esse o assunto deste artigo.

Arisa Trew, Sky Brown: a régua subiu do outro lado
Em 23 de junho de 2023, no Vert Alert de Salt Lake City, Arisa Trew se torna a primeira mulher a cravar um 720 em competição. Ela tem treze anos. Em 29 de maio de 2024, ela passa o 900 — primeira mulher, vinte e cinco anos depois de Hawk. Em agosto do mesmo ano, ela leva o ouro do park nos Jogos de Paris e vira a campeã olímpica australiana mais jovem da história, aos quatorze anos.
No mesmo pódio parisiense, Sky Brown fica com o bronze. Dois anos antes, ela já tinha deixado a pergunta "será que as minas conseguem" completamente obsoleta. Ninguém mais pergunta isso. Talvez seja essa a verdadeira virada da década, e ela não cabe numa manobra.

Os dez, na ordem — e o detalhe que trava
Aí vai o ranking, do mais espetacular ao mais fundador. Um: o 900 de Tony Hawk nos X Games 1999. Dois: o 1260 de Mitchie Brusco no Big Air, agosto de 2019. Três: o 1080 de Gui Khury no Best Trick dos X Games 2021, aos doze anos. Quatro: o 900 de Arisa Trew em 29 de maio de 2024, o primeiro no feminino. Cinco: o 720 dela no Vert Alert 2023. Seis: o 9,5 de Ginwoo Onodera em Sydney, a nota mais alta da sua noite recorde. Sete e oito: os 900 de Ema Kawakami aos sete anos, em agosto de 2022, e de Asher Bradshaw aos dez, em maio de 2014 — cravados fora de competição, e é exatamente isso que incomoda. Nove: o 900 de Sandro Dias em maio de 2004, cinco anos depois de Hawk, quando a manobra ainda tinha fama de impossível de repetir. Dez: o 360 flip de Rodney Mullen em 1983, saído de um contest de freestyle que quase ninguém viu.
O detalhe que trava é esse. Duas crianças de sete e dez anos cravaram o 900 na rampa de casa, de boa, sem público nenhum. A manobra que virou uma geração inteira de cabeça pra baixo hoje é item obrigatório de escolinha de skate. Ela não perdeu a dificuldade — perdeu a carga.
Um trick de contest não se mede pelo que custa ao rider. Se mede pelo que muda em quem não anda de skate. — O critério que ninguém nunca usa
A resposta: o 900 de Tony Hawk, e nada mais
O 900 não é o mais difícil — o 1260 gira uma volta e meia a mais. Não é o mais inventivo — Mullen escreveu o dicionário. Não é nem o mais bem avaliado — Ginwoo fez melhor, sete vezes seguidas, em fevereiro passado.
É o único cuja onda de choque saiu do skatepark. Em setembro de 1999, três meses depois de San Francisco, um videogame com o nome de Hawk chega às salas de estar e apresenta o vocabulário do skate a milhões de moleques que nunca tinham visto um shape de perto. As marcas vêm atrás. As emissoras vêm atrás. O circuito de contest vira um produto televisável, depois olímpico. E vinte e sete anos depois, o shape daquela noite foi arrematado em leilão por 1,15 milhão de dólares — o preço de um objeto que virou cultura.
Em outras palavras: a noite de Ginwoo Onodera em Sydney existe dentro de um mundo que o 900 fabricou. Sem aquelas dez quedas filmadas fora do tempo, não existe Street League com 10 mil espectadores, nem contrato, nem nota 9,5 comentada ao vivo. É isso um trick que muda o skate: não o que a gente reassiste em loop entre skatistas, mas o que faz entrar quem não estava ali.

O que isso diz da temporada 2026
O nível atual é um absurdo. Ginwoo segura sete tricks de 9 pra cima na mesma noite; no Rio, alguns meses depois, Cordano Russell vence numa final decidida por menos de um ponto. Nas mulheres, em Sydney, Rayssa Leal leva com 30,1, na frente de Liz Akama e Chloe Covell. Nunca se andou tão bem em competição.
O que falta não é nível. É o momento em que alguém tenta algo que ninguém pediu, fora do tempo, arriscando errar dez vezes na frente de todo mundo. Esse momento não se planeja em planilha de notas — e faz um bom tempo que ele não acontece. Se você quer ver de onde vêm essas noites, a gente contou os cinco contests que fabricaram o skate moderno: o mais decisivo dos cinco não tinha nem juiz nem arquibancada.
Os fatos desta lista são verificáveis: a cronologia completa dos 900 cravados é pública, e o recorde de Sydney está detalhado pela Street League. O resto é memória coletiva — e ela é mais seletiva que um júri.
E o teu número 1, qual é — o 900 de 1999, o 1260 do Brusco, ou a noite do Ginwoo em Sydney? Conta aí nos comentários ↓
Le lexique
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1
900
Figure aérienne à deux tours et demi sur soi-même, soit 900 degrés, posée sur une rampe vert.
-
2
1080
Trois tours complets en l’air, 1080 degrés. Un tour de plus que le 900, sur la même rampe.
-
3
1260
Trois tours et demi en l’air, réservé aux très grands modules type Big Air.
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4
Best Trick
Format de contest où chaque rider tente une figure unique, la meilleure tentative comptant seule.
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5
freestyle
Discipline historique pratiquée sur sol plat, faite de figures techniques enchaînées sans module.
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