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O boneless tem mais de 40 anos e voltou em todo canto: como mandar ele limpo?

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O boneless tem mais de 40 anos e voltou em todo canto: como mandar ele limpo?

Le boneless est né au tournant des années 80 et il ressort partout, en park comme en rue. Les 5 étapes, les 4 fails, et le curb exact sur lequel commencer.

3 septembre 2026 · 9 min de lecture
Guillaume Martin

Rédacteur skate chez NOSK8.

Spots, portraits et culture skate française — chaque article est relu et sourcé. Trois générations de pros au compteur. Chronique mensuelle.

Le boneless est né au tournant des années 80 et il ressort partout, en park comme en rue. Les 5 étapes, les 4 fails, et le curb exact sur lequel commencer.


Você viu ele passar três vezes essa semana. Num edit de bowl, num clipe de street postado por um moleque de 17 anos, no story do seu parceiro que voltou a andar de skate aos 38. Uma mão que agarra o shape, um pé que desce até o chão, e o cara que sobe do outro lado como se tivesse trapaceado.

É um boneless. Um salto em que você apoia o pé da frente no chão e segura o skate com a mão enquanto sobe. E não, não tem nada de novo: essa parada rola no skate desde a virada dos anos 80. Mais de quarenta anos de estrada.

Durante vinte anos, ele ficou na gaveta das manobras cafonas — aquelas que a gente fazia de capacete e munhequeira. Hoje ele reaparece em todo canto, e não só nas pistas.

Aqui vai de onde ele veio, por que voltou e — na última parte — o método completo mais o obstáculo exato onde você tem que fazer suas cinquenta primeiras tentativas.

Nível

Iniciante

Tempo

2-5h

Pré-requisitos

Andar, frear

Superfície

Curb baixo, plano inclinado

Uma manobra que nasceu antes do ollie virar rei

Vídeo: o boneless destrinchado quadro a quadro

O boneless foi inventado por Gary Scott Davis. Na época, ninguém achava de verdade que aquilo era possível — até o dia em que um parceiro ligou pra ele dizendo que tinha acabado de mandar. Davis foi lá, tentou e sacou a jogada: batendo o pé da frente no chão, você sobe muito mais alto do que saltando com os dois pés no shape.

O nome, esse sim, não tem nada a ver com skate. “Boneless”, sem osso. Era o nome de um boneco de uma amiga do Davis — “Harry the Boneless One”. A manobra herdou isso, e ninguém nunca mudou nada.

Coloca isso em contexto. Alan Gelfand solta o ollie dele em 1978, num bowl da Flórida. Rodney Mullen só vai adaptar a manobra pro plano alguns anos depois. Entre os dois, existe uma janela em que fazer o skate decolar ainda é gambiarra — e em que o boneless é a solução mais direta: você agarra, empurra com a perna, sobe.

É por isso que a Wikipédia apresenta ele como uma espécie de ancestral do ollie. Historicamente não é bem assim, mas a ideia se sustenta: era o jeito de passar um obstáculo quando ninguém sabia dar pop ainda.

Por que o boneless está voltando em todo canto agora

O boneless voltou em todo canto, inclusive no street: um skatista passa por cima de um obstáculo urbano
O mobiliário urbano substituiu a rampa: é aí que o boneless mais reaparece. Foto: Noeldavidej — CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

Três motivos, e nenhum deles é nostalgia.

O primeiro: o boneless passa em qualquer lugar. Um banco, uma mureta, um gap de dois degraus, a borda de um bowl. Onde o ollie exige velocidade certa e pop calibrado, o boneless exige uma perna. Dá pra mandar quase parado.

O segundo: ele é fotogênico. O corpo abre, o skate fica na mão, a silhueta se lê numa imagem só. Num vertical de sete segundos, isso aparece — um kickflip limpo, não.

O terceiro é o mais bobo de todos: os skatistas que hoje têm trinta e cinco anos estão ensinando manobra pros filhos. E a primeira coisa que se mostra pra um moleque que ainda não tem ollie é essa. Igual ao hippie jump ou ao no comply, o boneless faz parte dessa família de manobras que te tiram do chão sem passar pelo pop.

A parede todo mundo bate no mesmo ponto: o pé que apoia. Três em cada quatro apoiam longe demais do skate, acabam num espacate e largam tudo. Não é questão de nível — é questão de distância, e resolve numa sessão só. Até os caras com vinte anos de skate erram na primeira vez que voltam a tentar.

Os 5 passos pra mandar um boneless limpo

Boneless no mini ramp: a mão agarra o skate enquanto o pé da frente apoia no chão
O movimento inteiro numa imagem: mão na borda do shape, pé da frente no chão, perna de trás empurrando. Foto: EightySixFilms — CC BY 2.0, via Flickr
  1. Os pés, antes de tudo

    Pé de trás no tail, igual num ollie. Pé da frente no meio do shape, no eixo. É ele que vai pro chão, então não gruda ele no nose: quanto mais na frente ele estiver, mais você vai ter que se esticar pra alcançar o asfalto. O peso fica na perna de trás.

  2. A mão agarra antes do pé sair

    A ordem importa, e é aí que a manobra se decide. Primeiro você agarra — mão da frente na borda do shape, do lado do calcanhar, na altura dos parafusos da frente. Só depois o pé da frente desce. Se inverter, o skate vai embora sem você e você fica de pé do lado dele.

  3. O pé apoia colado no skate

    É o passo que todo mundo erra. O pé da frente apoia no chão logo ao lado da borda, a dez ou quinze centímetros no máximo. Não é um metro na frente. Você não dá um passo, você cria um apoio. Quanto mais perto, mais forte e mais reto a perna consegue empurrar.

  4. O impulso: quem faz a manobra é a perna

    Você estica a perna que está no chão como num salto de perna só. Ao mesmo tempo, a mão puxa o skate pra cima e a perna de trás mantém ele embaixo de você. Não é a mão que te levanta, é a perna. A mão só guia, mais nada. Olha pra frente, nunca pros seus pés.

  5. Devolve o pé no ar, não na aterrissagem

    No ponto mais alto, você traz o pé da frente de volta pro shape — em cima dos parafusos da frente. Ele tem que estar lá antes das rodas encostarem. Se esperar a chegada, você aterrissa com uma perna só e sai pra frente. Joelhos dobrados na descida, a mão solta no último instante.

Os 4 erros clássicos e como corrigir

Boneless no bowl: quando o pé apoia longe demais, o skate vai embora e o corpo abre
Apoio longe demais, corpo abrindo: o erro clássico do boneless, visível numa fração de segundo. Foto: Thomas Bresson — CC BY 3.0, via Wikimedia Commons

Os 4 erros clássicos

  • Você abre um espacate — seu pé apoiou longe demais na frente. Aproxima ele da borda. Faz dez tentativas parado, se obrigando a apoiar o pé rente ao shape, quase encostando.
  • O skate escapa da sua mão — você agarra tarde demais ou muito no meio. Mão na borda, na altura dos parafusos da frente, antes do pé se mexer. Fecha os dedos por baixo do shape, não em cima da lixa.
  • Você sobe dez centímetros — você puxa com o braço em vez de empurrar com a perna. O braço não levanta nada. Dobra a perna que está no chão e estica com tudo, como num salto vertical.
  • Você cai com um pé só — o pé da frente voltou tarde demais. Traz ele no ponto alto do salto, não na descida. Se filma de lado: você vê a diferença na hora.

O curb em que você tem que começar

Boneless baixo na borda de um bowl: começar num curb antes de subir mais alto
Pool Party de Belfort, 2015: a mesma mecânica, quinze centímetros mais alto. Você chega aí depois do curb, nunca antes. Foto: Thomas Bresson — CC BY 3.0, via Wikimedia Commons

Aqui está a resposta prometida, e ela cabe numa frase: um meio-fio de 12 a 15 centímetros, plano, com piso liso dos dois lados. Não é rampa. Não é banco. Não é plano inclinado de pista.

Por que tão baixo? Porque a altura não te ensina nada e ainda te dá medo. Num curb de 15 centímetros, seu pé da frente apoia num chão que você enxerga, o skate fica ao alcance da mão, e se der ruim você desce um degrau. Dá pra emendar quarenta tentativas em vinte minutos sem nunca se machucar — e é exatamente disso que essa manobra precisa.

A progressão que funciona, nesta ordem: primeiro vinte boneless parado, com o skate travado contra o meio-fio, só pra sentir a mão e a perna. Depois o mesmo movimento andando bem devagar, paralelo ao curb, sem subir nele. Aí você sobe no curb. Depois passa ele de gap. E só então você vai encarar o primeiro quarter da pista.

O detalhe que muda tudo e que ninguém te conta: ande mais devagar do que seu instinto manda. O boneless não precisa de velocidade — a velocidade só te impede de apoiar o pé. Se você está apanhando há três sessões, corta a velocidade pela metade. Nove vezes em dez, é isso.

Vídeo: como mandar um boneless limpo, nas duas bases

Leia também: O ollie em 6 passos — porque, depois que o boneless sair, é pra lá que você vai querer ir.

Quanto tempo até mandar ele limpo?

O clique do boneless: o movimento sai limpo, sem corrigir nada no ar
O momento em que sai: nada de espetacular, só um movimento que não se corrige mais. Foto: James Buck — CC BY 2.0, via Flickr

Duas a cinco horas de prática de verdade. Uns mandam numa sessão só, outros levam três fins de semana. Não depende do seu talento, depende de uma coisa só: você apoia o pé perto do skate, ou você dá um passo?

O clique vem de uma vez e você sente no corpo. Uma tentativa em que a perna empurra na hora certa, em que o skate fica grudado na sua mão sem puxar, em que você devolve o pé sem nem pensar. Você não sobe mais alto do que nas vezes anteriores — mas, pela primeira vez, você não corrigiu nada no ar. É esse silêncio dentro do movimento que te diz que saiu.

E depois disso, não tem mais como parar. É a única manobra do skate que sai em qualquer lugar: num bowl, num banco, na porta da sua casa, quarenta anos depois de Gary Scott Davis ter decidido tentar uma parada que ninguém achava possível.

No seu boneless, a que distância do skate você apoia o pé? E em que curb você mandou ele pela primeira vez? Conta nos comentários ↓

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Le lexique

  1. 1

    boneless

    Saut où le skateur pose son pied avant au sol et tient sa planche à la main pour s'élever, au lieu de la faire décoller au pop.

  2. 2

    tail

    L'arrière relevé de la planche, celui qu'on tape au sol pour faire décoller l'avant.

  3. 3

    curb

    Un trottoir, ou le bord de béton d'un module. La hauteur de départ idéale pour apprendre un trick sans se faire mal.

  4. 4

    quarter

    Module courbe d'un quart de cercle, sur lequel on remonte pour sortir en l'air au-dessus du bord.

  5. 5

    no comply

    Figure cousine du boneless : le pied avant se pose au sol, mais sans jamais attraper la planche avec la main.

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