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Verão 2026: 5 momentos marcaram o skate — só um mostra de verdade pra onde ele tá indo

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Verão 2026: 5 momentos marcaram o skate — só um mostra de verdade pra onde ele tá indo

Sacramento, La Nouvelle-Orléans, Rio, Tempe, Marseille : les cinq moments qui ont fait l'été 2026 du skate — et celui qui dit vraiment où va la discipline.

1 septembre 2026 · 7 min de lecture
Guillaume Martin

Rédacteur skate chez NOSK8.

Spots, portraits et culture skate française — chaque article est relu et sourcé. Trois générations de pros au compteur. Chronique mensuelle.

Sacramento, La Nouvelle-Orléans, Rio, Tempe, Marseille : les cinq moments qui ont fait l'été 2026 du skate — et celui qui dit vraiment où va la discipline.

Três meses, cinco momentos, e uma parada estranha no meio: das onze finais de skate disputadas neste verão em Nova Orleans, só um vencedor era americano. Um. No país que inventou a modalidade, que filmou, vendeu e exportou ela durante quarenta anos.

Então a gente refez o verão inteiro desde o começo. Sacramento, Nova Orleans, Rio, Tempe, Marselha. Cinco momentos que marcaram o junho-julho-agosto de 2026 no skate de competição. Quatro são de cair o queixo. Só um conta de verdade pra onde a modalidade tá indo — e não é o que você tá pensando.

Começo de julho, Sacramento: 10 medalhas de ouro, e ela ainda não tem 17 anos

Arisa Trew chega no X Games Sacramento com algo que ninguém tinha visto vir: a chance de igualar um recorde de mais de dez anos. E ela iguala. Dez medalhas de ouro de X Games na carreira, igual a Lindsey Jacobellis — só que Jacobellis levou uma década de snowboard pra empilhar as dela, e Trew é australiana, skatista de park, e já campeã olímpica.

Arisa Trew, 10 medalhas de ouro no X Games, com seu troféu Laureus
Arisa Trew com seu troféu Laureus. Neste verão, em Sacramento, ela entrou no clube fechadíssimo das dez medalhas de ouro no X Games. Foto: Barcex — CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.

E ela não tá sozinha. A Austrália sai de Sacramento com cinco medalhas de ouro, somando todas as modalidades. Cinco. Pra um país de 27 milhões de habitantes, numa competição realizada na Califórnia. A gente detalhou os pódios no nosso balanço do X Games Sacramento — mas o número que importa é esse aí.

A essa altura do verão, a gente bota na conta de uma geração de ouro. Uma anomalia simpática. E a gente se engana.

Fim de julho, Nova Orleans: o título é decidido por 10 pontos em 2.640

A primeira temporada da MoonPay X Games League termina no Superdome. O XC New York leva com 2.640 pontos. Dez à frente do XC Tokyo. Dez pontos de diferença depois de uma temporada inteira — o equivalente a uma volta perdida por meio segundo, diluído em meses de competição.

Mas o número que pesa mesmo é outro, e ele dói: das onze finais de skate disputadas naquele fim de semana, só um vencedor era americano. E a maior pontuadora da liga inteira joga em Tóquio. A gente já tinha puxado esse fio no nosso balanço da temporada da XGL: o formato é americano, o patrocinador é americano, o estádio é americano. Os vencedores, não.

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Onze finais num estádio de Nova Orleans. Um único americano no lugar mais alto do pódio. — O número do verão que ninguém comentou

9 de agosto, Rio: 0,6 ponto de diferença e 105 quilos em cima de um shape

O Maracanãzinho tá lotado. O SLS Rio Takeover acontece num ginásio onde o público brasileiro vem pra ver brasileiro ganhar — e não é bem isso que rola. Cordano Russell, canadense, ex-jogador de futebol americano, 105 quilos, fecha com 27,5 pontos. Giovanni Vianna termina com 26,9. Seis décimos de ponto.

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No feminino, o mesmo roteiro só que invertido: Rayssa Leal leva com 20,9, dois décimos à frente. Dois títulos decididos na última manobra, na mesma noite. Os scores detalhados e a volta decisiva estão no nosso relato do SLS Rio.

Cordano Russell, vencedor do SLS Rio 2026, mandando um slide no corrimão durante uma bateria da Street League
Cordano Russell no corrimão, na Street League. No Rio, ele ganhou por seis décimos de ponto — com um porte físico que ninguém achava compatível com skate de alto nível. Foto: Erik Drost — CC BY 4.0, via Wikimedia Commons.

Tem uma imagem desse verão que não aparece em nenhuma foto oficial: a do celular apoiado no travesseiro, 1h45 da manhã no horário francês, som cortado pra não acordar a casa toda. As finais rolam no Rio, em Tempe, em Sacramento — ou seja, se assiste de madrugada. O carregador na tomada, a tela iluminando o teto, e aquela sensação idiota de saber um resultado que ninguém mais vai ver antes do meio-dia seguinte. Neste verão, boa parte do skate francês foi vivida assim.

29 de agosto, Tempe: o pódio feminino é 100% japonês

Yumeka Oda ganha. Miyu Ito fica em segundo. Coco Yoshizawa em terceiro. Três degraus, três japonesas, numa competição realizada no Arizona. No masculino, Braden Hoban leva e salva a honra da casa.

Yumeka Oda, vencedora do SLS Tempe 2026, numa cerimônia de entrega da medalha de ouro no street
Yumeka Oda, medalha de ouro no mundial de street em Tóquio. Em Tempe, ela cravou sua segunda vitória na Street League — no topo de um pódio 100% japonês. Foto: RuinDig/Yuki Uchida — CC BY 4.0, via Wikimedia Commons.

Pra quem assiste da França, a final caía 1h45 da manhã — a gente tinha convertido a programação inteira pro horário de Paris pra quem quisesse virar a noite. Quem virou viu três skatistas do mesmo país trancarem um pódio do outro lado do mundo, na tranquilidade, sem que isso gerasse o menor debate.

Fim de agosto, Marselha: 17 anos, primeira participação, e ela ganha

O bowl do Prado lotado até a boca, mistral leve, mar ao fundo. Red Bull Bowl Rippers. Tom Schaar ganha no masculino com 94,7 pontos — nada mais lógico, ele está entre os melhores riders de bowl do planeta. E no feminino, uma francesa de 17 anos, Nana Taboulet, leva logo na primeira participação.

Público sentado na borda do bowl do Prado durante o Red Bull Bowl Rippers 2026 em Marselha
A borda do bowl do Prado durante o Red Bull Bowl Rippers 2026: shapes no chão, pernas balançando no vazio, ninguém pagou ingresso. Foi ali que uma francesa de 17 anos ganhou sua primeira competição internacional. Foto: Ondine Goat — CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.

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Primeira participação. Dezessete anos. Na frente de skatistas rodadas no circuito há anos. Os scores completos estão no nosso texto sobre o Red Bull Bowl Rippers, mas a informação cabe numa linha: ninguém esperava por ela, e ela ganhou mesmo assim.

O momento que importa de verdade é Tempe — e não pelo motivo que você imagina

É essa a resposta, e não é a que a gente daria no instinto.

Não são os seis décimos do Rio, por mais absurdos que sejam. Não é o recorde da Arisa Trew, por mais precoce que seja. É aquele pódio de Tempe, três japonesas enfileiradas numa plaza americana, que não fez absolutamente ninguém levantar a sobrancelha.

Porque, isolado, é só um bom resultado. Emendado com os outros quatro, vira outra coisa: uma australiana faturando ouro em Sacramento, um time de Tóquio a dez pontos do título no Superdome, um canadense ganhando no Rio, uma francesa de 17 anos ganhando em Marselha, e um único americano vencedor em onze finais. O centro de gravidade do skate de competição saiu dos Estados Unidos. Num verão só.

Skatista mandando um slide no corrimão durante o mundial de street em Tóquio
Mundial de street em Tóquio: foi nesse ginásio que se formou o celeiro que trancou o pódio de Tempe neste verão. Foto: RuinDig/Yuki Uchida — CC BY 4.0, via Wikimedia Commons.

O pódio de Tempe não é surpresa. É a linha de chegada de uma virada que os outros quatro momentos já anunciavam. — O que o verão de 2026 disse de verdade

E a informação que realmente vale, pra gente, está na consequência: quando um circuito deixa de pertencer a um país, ele se abre pra todos os outros. É exatamente por isso que Nana Taboulet, dezessete anos, primeira participação, conseguiu ganhar em Marselha. Dez anos atrás, aquele pódio já estava ocupado antes de começar.

O que fica desse verão

O circuito não para por aí: o SLS volta pra Europa em 3 de outubro, em Roland-Garros — a única parada europeia da temporada, em Paris. Depois Tóquio em 14 de novembro, e o Brasil em dezembro. O calendário oficial está no site da Street League.

O que vai ficar do junho-julho-agosto de 2026 provavelmente não é nenhum dos cinco resultados. É o que isso muda pro moleque ou pra moleca que tá andando num bowl público agora mesmo: o circuito não se decide mais dentro de um único país, e quem ganha nele não tem mais o mesmo passaporte, nem o mesmo porte físico, nem a mesma idade. Cordano Russell tem 105 quilos. Nana Taboulet tem dezessete anos. Arisa Trew nem terminou o ensino médio. Três anos atrás, nenhum dos três se encaixaria no perfil.

Qual desses cinco momentos te fez virar a noite acordado — e qual te deixou completamente indiferente? Conta nos comentários ↓

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Le lexique

  1. 1

    bowl

    Cuvette en béton aux parois arrondies, héritée des piscines vides, où le skateur enchaîne des courbes sans jamais poser le pied.

  2. 2

    coping

    Le rebord métallique tout en haut du bowl : c est là que le skateur bloque sa planche avant de replonger.

  3. 3

    run

    Le passage chronométré d un skateur en compétition, noté par les juges du départ jusqu à la dernière figure.

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