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Como mandar um heelflip: os 6 passos — e por que seu skate sempre sai torto

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Como mandar um heelflip: os 6 passos — e por que seu skate sempre sai torto

Ton talon frappe, la planche part en biais, tu retombes à côté. Les 6 étapes du heelflip dans l'ordre, les 4 fails classiques, et la vraie cause du board de travers — ce n'est presque jamais ton flick.

6 août 2026 · 9 min de lecture
Guillaume Martin

Rédacteur skate chez NOSK8.

Spots, portraits et culture skate française — chaque article est relu et sourcé. Trois générations de pros au compteur. Chronique mensuelle.

Ton talon frappe, la planche part en biais, tu retombes à côté. Les 6 étapes du heelflip dans l'ordre, les 4 fails classiques, et la vraie cause du board de travers — ce n'est presque jamais ton flick.

Você dá o pop. Seu calcanhar bate na borda. E o skate sai torto — gira pela metade, vira de lado, e você cai do lado dele. De novo.

Você está exatamente no ponto onde todo mundo trava. O heelflip tem uma fama estranha: tem gente que acerta antes do kickflip, tem gente que apanha dele por meses. A diferença está em um único movimento, e esse movimento ninguém explica direito nos vídeos.

Vamos recomeçar do zero. Os pré-requisitos, os 6 passos na ordem, os 4 perrengues clássicos. E no final, a resposta pra pergunta que está te deixando louco: por que seu skate sai torto mesmo você fazendo exatamente o que o tutorial manda.

Pega seu skate. Bora.

Nível

Intermediário

Tempo

10-25h

Pré-requisito

Ollie andando

Superfície

Chão liso, plano

1982: o trick que Rodney Mullen mandou no mesmo ano que o kickflip

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Em 1982, Rodney Mullen inventa dois tricks que iam desenhar todo o skate moderno: o kickflip — que na época ele chamava de "ollie flip" — e o heelflip. Duas formas de fazer o shape girar em torno do próprio eixo sem nunca encostar as mãos nele. Ninguém tinha feito isso antes dele.

A diferença entre os dois está no pé da frente. No kickflip, você raspa a borda com os dedos, pra frente. No heelflip, é o calcanhar que empurra a borda pra fora — e o shape gira pro outro lado. Só isso. Mesmo pop, mesmo timing, mesma base na queda. Um único movimento muda.

E é justamente esse movimento que torna o trick traiçoeiro. Seu calcanhar é mais largo que seus dedos, pega mais shape e manda muito mais força. Quando sai errado, sai errado de verdade.

Leia também: O ollie em 6 passos — porque sem um ollie limpo andando, o heelflip nunca vai sair.

Os 6 passos para acertar seu primeiro heelflip

Skatista no meio de um flip trick, shape girando sob os pés — mecânica do heelflip
O momento em que o shape gira sozinho sob os pés. Foto: Jarek Tuszyński — CC BY 4.0, via Wikimedia Commons
  1. Posição dos pés

    Pé de trás no tail — a parte levantada atrás — dedos perto da borda, como num ollie normal. Pé da frente mais pra cima do que no seu ollie, logo atrás dos parafusos da frente, e principalmente: metade do seu tênis fica pra fora do lado do calcanhar. Se o pé estiver todo apoiado na lixa, você não vai ter nada pra flickar. Essa sobra é o trick inteiro.

  2. Ande, devagar

    Heelflip parado é beco sem saída: o skate vira de lado antes de terminar a rotação. Você precisa de um mínimo de velocidade — a de uma caminhada rápida, não mais que isso. Isso estabiliza o shape no ar e te dá tempo de pegar ele de volta. Ombros paralelos ao skate, olhar pra frente, não pros pés.

  3. O pop: seco, no eixo

    Estala o tail no chão com o pé de trás. Seco, nada de moleza. O pop é essa batida que faz o shape decolar — sem ele, você só tem um flip mole que despenca. E ele tem que sair reto: se você der o pop girando os ombros, acabou de programar um skate torto antes mesmo de flickar.

  4. O flick: o calcanhar sai na diagonal

    Na sequência do pop, seu pé da frente sobe em direção ao nose e o calcanhar raspa a borda. A direção importa mais que a força: o calcanhar sai pra frente e pra fora, na diagonal, nunca reto. É esse pequeno ângulo que faz o shape girar plano em vez de virar de lado. O flick é essa raspada na borda; sem ele, não tem flip.

  5. As pernas encolhem, você olha o giro

    Depois do flick, os dois pés sobem e se afastam do skate. Você não faz mais nada por um quarto de segundo: o shape gira sozinho. É o momento em que a gente entra em pânico e desce o pé cedo demais. Deixa ele terminar a volta. Olha pra ele — é o único jeito de saber a hora de pegar de volta.

  6. O catch e a base

    Assim que a lixa reaparecer embaixo de você, encosta o pé da frente nela pra parar a rotação — esse é o catch. Depois o pé de trás, nos parafusos de trás. Joelhos dobrados na queda pra amortecer. Se você cair com os dois pés nos parafusos e continuar andando: acertou, e vai lembrar desse momento.

Os 4 fails clássicos e como corrigir

Os 4 fails clássicos

  • O shape gira pela metade e vira de lado — seu flick está curto demais ou alto demais na borda. Desce o pé da frente pro meio do shape e raspa mais embaixo na lateral. O calcanhar tem que agarrar, não acariciar.
  • Ele gira demais (uma volta e meia) — você flicka forte demais com medo de que não gire. Diminui. Um heelflip pede muito menos força do que parece: o calcanhar já faz o trabalho sozinho.
  • Você sempre cai atrás do skate — seu pop está indo pra trás em vez de ir pra baixo. Pula com o skate, não a partir dele. Seu corpo tem que acompanhar o movimento pra frente.
  • Só um pé volta pra lixa — você desce o pé de trás cedo demais. Espera ver a lixa inteira, depois encosta o pé da frente primeiro. Sempre nessa ordem.
Skatista dando pop num flip trick numa praça de concreto, grupo de skatistas em volta
Chão liso, um pouco de velocidade, os brothers em volta: as condições que fazem evoluir rápido. Foto: Jarek Tuszyński — CC BY 4.0, via Wikimedia Commons

O heelflip devora seus tênis — se prepara pra isso

Ninguém te avisa disso. O flick do heelflip esfrega a lateral externa do tênis contra a lixa, de novo e de novo. Em duas semanas de sessões pra valer, um par de lona clássico fura do lado. Não é você que anda mal, é o trick que é assim mesmo.

Dois reflexos que mudam tudo. Um tênis com reforço de camurça na lateral externa — é exatamente pra isso que ele existe. E uma lixa não muito agressiva: lixa muito abrasiva acelera a rotação, mas destrói seus tênis duas vezes mais rápido. Você encontra os dois na Skatedeluxe ou na Titus, com modelos de entrada bem abaixo dos preços das grandes redes de esporte.

Deixa também uma folha de lixa reserva na mochila. Uma lixa gasta em alguns pontos é um flick que escorrega em vez de agarrar — e você vai passar uma sessão inteira se perguntando por que não sai mais.

Por que seu skate sai torto — a resposta de verdade

Pronto. Chegamos. Você faz tudo que o tutorial manda, e mesmo assim o shape sai torto em cada tentativa. O problema quase nunca é o seu calcanhar.

Na imensa maioria dos casos, é o pop que não está no eixo. Seu pé de trás estala o tail levemente de lado — pra fora, do lado dos calcanhares — porque seu corpo já está antecipando o flick. Então o shape entra em rotação horizontal antes mesmo de começar a rotação do flip. Resultado: gira em dois sentidos ao mesmo tempo, e vira de lado. Você acha que errou o flick, mas errou o pop.

O segundo culpado são os ombros. Se eles abrem pra frente na hora do salto, seu quadril vai junto, seu pé de trás vai junto, e o tail é batido de lado. Exatamente o mesmo efeito.

O teste que resolve em uma sessão: manda dez ollies simples, andando, sem flickar nada. Olha onde o shape cai. Se ele já estiver levemente na diagonal em relação à sua trajetória, você tem sua resposta — seu problema existia antes mesmo de você tentar o heelflip. Corrige o pop, e o flip geralmente vem logo em seguida.

Se os seus dez ollies caírem perfeitamente retos, só então o culpado é o flick: alto demais na lateral, ou reto pra frente em vez de sair na diagonal.

Quanto tempo até acertar de verdade?

A faixa honesta: 10 a 25 horas de treino concentrado, desde que você já tenha um ollie sólido andando. Tem gente que acerta em uma semana, tem gente que leva dois meses. Os dois são normais — e isso não diz absolutamente nada sobre o seu nível.

O que muda de verdade a velocidade de evolução é se filmar. Celular apoiado na mochila, dez tentativas, e depois você assiste em câmera lenta. Em um minuto você vê o que não sente: o pop torto, o pé da frente alto demais, o ombro abrindo. É mais eficiente que três sessões no escuro.

E quando você já está tentando há 40 minutos sem uma única rotação limpa, para. Sério. Volta amanhã. Heelflip raramente sai quando a gente está travado — é um trick de relaxamento, não de força.

Depois que ele for seu, a sequência é curta: o kickflip se você ainda não tiver, depois o varial heelflip, depois as combinações. Tudo parte do mesmo movimento que você acabou de aprender.

Seu heelflip sai torto ou gira demais? Descreve seu fail, a gente te fala de onde vem. Conta nos comentários ↓

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Le lexique

  1. 1

    flick

    Le coup de pied sec sur la tranche de la planche qui déclenche sa rotation. Sans flick, la planche saute mais ne tourne pas.

  2. 2

    pop

    Le claquement du tail contre le sol qui fait décoller la planche. C'est lui qui donne la hauteur du trick.

  3. 3

    catch

    Le geste de reposer le pied avant sur la planche en l'air pour stopper net sa rotation avant l'atterrissage.

  4. 4

    varial heelflip

    Heelflip combiné à un demi-tour de la planche à l'horizontale. Le trick logique juste après avoir maîtrisé le heelflip.

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