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Varial heelflip: 180° de giro, uma talonada — por que sempre desanda?

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Varial heelflip: 180° de giro, uma talonada — por que sempre desanda?

Ta planche tourne mais ne flippe pas, ou elle file derrière toi ? Les 6 étapes du varial heelflip, les 4 fails classiques, et la vraie raison en bas de page.

20 août 2026 · 9 min de lecture
Guillaume Martin

Rédacteur skate chez NOSK8.

Spots, portraits et culture skate française — chaque article est relu et sourcé. Trois générations de pros au compteur. Chronique mensuelle.

Ta planche tourne mais ne flippe pas, ou elle file derrière toi ? Les 6 étapes du varial heelflip, les 4 fails classiques, et la vraie raison en bas de page.

Você dá o pop. O shape sai. Ele gira, sim — mas gira sozinho, deitado, sem nunca virar. Ou então ele flipa e dispara pra trás de você, como se quisesse voltar pra casa sem você.

E você cai do lado, uma perna no vazio, se perguntando o que está fazendo de errado há três sessões.

O varial heelflip são dois movimentos que se atropelam. Meia-volta do shape de um lado, uma talonada do outro. Se você faz os dois ao mesmo tempo, desanda. É mecânica, não é você.

Aqui está a mecânica completa, os 6 passos, os 4 erros que voltam sempre — e o motivo real de o seu shape fugir de você. Está no final do artigo, e cabe em uma frase.

Nível

Intermediário

Tempo

10-30h

Pré-requisitos

Ollie, heelflip

Superfície

Chão liso e plano

180° de um lado, uma talonada do outro

Demonstração do varial heelflip por Mike Mo Capaldi

O varial heelflip junta dois tricks que talvez você já mande separados: um frontside pop shove-it — o shape dá meia-volta deitado, 180° — e um heelflip, em que ele gira sobre o próprio eixo por causa do seu calcanhar.

Cada movimento tem a sua história. O pop shove-it se chamava originalmente “Ty hop”, em homenagem a Ty Page. Já o heelflip saiu dos anos 80 e da cabeça de Rodney Mullen, o mesmo cara que inventou o kickflip e umas trinta outras manobras numa época em que quase ninguém via graça em girar um shape no plano.

Cola os dois e você tem um trick em que o pé de trás e o pé da frente precisam agir em momentos diferentes. É exatamente aí que trava.

No vídeo acima, quem destrincha é Mike Mo Capaldi. Um pro regular, conhecido do grande público desde a sua part em Forecast, o vídeo produzido por Paul Rodriguez. Olha os pés dele em câmera lenta: eles não saem juntos.

Leia também: O ollie em 6 passos, a base sem a qual nada disso para de pé.

A parede que todo mundo atravessa do mesmo jeito

Ninguém manda um varial heel de primeira. Nem você, nem o cara da pista que parece acertar tudo. A passagem obrigatória é a aterrissagem com um pé só — você põe o pé da frente, o shape está reto embaixo de você, e a outra perna fica boba no ar. Todo mundo passa por isso. O segundo pé chega sozinho, mais tarde, sem que você mude nada.

Skatista no ar no meio de uma sessão, os outros esperando a vez
Uma sessão comum: todo mundo erra, todo mundo tenta de novo, ninguém conta as tentativas dos outros. É o único lugar onde essa parede cai. Foto: Jarek Tuszyński, Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

Então, se você está caindo com um pé só nesta semana: você não está errando. Você está exatamente onde precisa estar.

Os 6 passos para mandar o trick

O shape faz seus 180 graus de giro embaixo do skatista durante um varial
A meia-volta já começou, os pés já subiram: nesse instante exato, o shape trabalha sozinho e o skatista só espera por ele. Foto: Jarek Tuszyński, Wikimedia Commons (CC BY 4.0)
  1. Pé de trás: só a ponta no tail

    Não é o pé inteiro apoiado. Só a ponta, encaixada na concavidade do tail, do lado dos dedos. É isso que deixa você empurrar o shape de lado em vez de esmagá-lo para baixo. Se você apoia o pé todo, vai scoopar feito um bruto e o shape vai embora atrás de você.

  2. Pé da frente: mais perto do meio do que num heelflip

    Mesmo ângulo de um heelflip clássico, com o calcanhar passando um pouco da borda — mas puxa o pé para o centro do shape. É o ajuste que ninguém te conta. Perto demais do nose, o shape fica na vertical e vem direto na sua canela.

  3. O pop, depois o scoop — nessa ordem

    Você bate o tail no chão, seco. E na continuação do estalo, empurra a ponta do pé para a frente para lançar a meia-volta. Pop primeiro, giro depois. Se você scoopa antes de o tail estalar, o shape escorrega no chão e nunca sobe.

  4. O flick do calcanhar: uma fração depois

    O calcanhar da frente raspa para fora, como num heelflip. Mas não no mesmo instante do scoop — logo depois. Um tempo de atraso, nada mais. É esse desencontro minúsculo que separa um varial heel limpo de um shape girando feito pião.

  5. Sobe os joelhos e olha

    Depois dos dois impulsos, não tem mais nada para fazer. Joelhos no peito, ombros no eixo do shape, e você olha a lixa girando embaixo de você. Muita gente erra aqui: vai buscar o shape com os pés em vez de deixar ele terminar a volta.

  6. A aterrissagem: um pé primeiro, dois depois

    Mira nos parafusos com o pé da frente assim que a lixa aparecer virada para você. Pisa firme para travar o giro. O segundo pé vem em algumas sessões, sozinho. É o caminho normal — ninguém cai de dois pés já no primeiro varial heel acertado.

Os 4 erros clássicos e como corrigir

Os 4 erros clássicos

  • Ele gira mas não flipa — seu calcanhar não raspou, só empurrou para baixo. O flick é um movimento para fora e para cima, não um apoio. Exagera nele em três tentativas seguidas para sentir a diferença.
  • Ele flipa mas não gira — o contrário: seu pé de trás está todo apoiado no tail. Sobe na ponta e empurra de lado em vez de esmagar.
  • Ele vai parar longe atrás de você — você está scoopando forte demais. É o erro nº 1 do varial heel. Divide o movimento por dois: a meia-volta pede muito menos força do que você imagina.
  • Ele fica na vertical e vem em cima de você — seu pé da frente está perto demais do nose. Puxa para o meio e confere se os seus ombros continuam paralelos ao shape na hora do pop.
Varial heelflip filmado em câmera lenta, giro e flick visíveis quadro a quadro

Em câmera lenta, você vê exatamente o que o olho não pega em velocidade real: o tail estala, o shape começa a meia-volta, e só depois a borda da frente sobe sob o calcanhar. Dois tempos. Nunca um só.

O calcanhar do pé da frente raspa a borda do shape para disparar o flip
O pé da frente acabou de sair da borda e o shape já está virando: é esse gesto, para fora e para cima, que a gente confunde com um apoio para baixo. Foto: Almonroth, Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Seu tênis e sua lixa fazem metade do trabalho

Tênis de skate de camurça comidos pela lixa na zona do flick
A camurça comida na lateral: é a zona que atrita a cada flick. Quando ela fica lisa, o seu calcanhar escorrega em vez de agarrar — e o trick não sai mais. Foto: Nicolas Völcker, Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Um flick é atrito. O seu calcanhar agarra a borda do shape por uma fração de segundo, e é esse contato que faz o board girar. Com sola lisa e lixa gasta, esse contato não existe mais — você pode fazer o movimento perfeito que não vai acontecer nada.

Na prática: um tênis de skate de camurça, com reforço lateral, segura o flick muito melhor do que um sneaker de rua. É a razão de existir das linhas Vans Skate e Nike SB, construídas exatamente para essa zona de desgaste. E se você vê o desenho da sua lixa sumindo onde os pés passam, troca: uma folha nova custa o preço de um lanche e devolve controle já na primeira tentativa.

É frustrante ouvir isso quando você tem 15 anos e nenhum orçamento. Mas treinar um trick com equipamento acabado ou treinar com equipamento decente não é o mesmo esporte.

Por que desanda: a resposta de verdade

Aqui está, em uma frase: o seu shape desanda porque você gira e flica no mesmo instante, com o pé de trás inteiro apoiado no tail.

É só isso. Não é o seu pop, não é o seu impulso, não é o seu nível.

O shape sai torto e dispara embaixo do skatista durante um varial heelflip errado
É assim que a desandada aparece: o shape ficou de canto e escapa enquanto o skatista ainda está no ar. As duas forças saíram juntas. Foto: Jarek Tuszyński, Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

Quando os dois movimentos saem juntos, as duas forças se somam no mesmo eixo: o shape fica torto e dispara. Quando eles saem separados por um tempo, cada um faz o seu trabalho — a meia-volta primeiro, a virada depois — e o shape fica deitado embaixo de você.

E o pé de trás apoiado inteiro é o que torna esse desencontro impossível: apoiado, você só consegue esmagar. Na ponta, você consegue empurrar de lado sem esmagar, e assim dar tempo para o calcanhar da frente chegar depois.

Dois ajustes, então. A ponta do pé de trás. O tempo de atraso no flick. O resto você já tem, se manda o seu heelflip e o seu tre flip.

Quanto tempo até cravar?

A faixa honesta: 10 a 30 horas de prática concentrada se o seu heelflip já é sólido. Uns tiram em uma semana. Outros levam dois meses. Isso não diz nada sobre o seu talento — diz quantas vezes você repetiu o movimento procurando o desencontro em vez de mandar no chute.

Se você está travado há dez sessões, se filma. Três tentativas, de frente, em câmera lenta. Na maioria das vezes, você vê o problema em um segundo: os dois pés saindo ao mesmo tempo.

E aí chega o dia em que acontece. Você nem sente o movimento — só vê a lixa voltando virada para você, limpa, sem que você tenha precisado ir buscar. O shape para embaixo dos seus pés como se tivesse esperado por você. Esse clique você nunca desaprende. E no dia seguinte você manda cinco.

O seu varial heel gira feito pião ou se recusa a flipar? Conta pra gente o seu erro exato. Diz nos comentários ↓

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Le lexique

  1. 1

    frontside pop shove-it

    Figure où la planche fait un demi-tour à plat sous tes pieds, sans se retourner, lancée par une poussée du pied arrière.

  2. 2

    flick

    Le coup de pied qui gratte le bord de la planche vers l'extérieur et la fait tourner sur elle-même.

  3. 3

    pop

    Le claquement du tail contre le sol qui décolle la planche. Sans pop, aucune figure de street ne sort.

  4. 4

    scoop

    Poussée latérale du pied arrière sur le tail qui lance la rotation à plat de la planche.

  5. 5

    replaque

    Le moment où tu reposes les pieds sur la planche après la figure, idéalement sur les vis des trucks.

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