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SLS Tempe, resultados: 3 japonesas no pódio feminino — o street virou de vez?

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SLS Tempe, resultados: 3 japonesas no pódio feminino — o street virou de vez?

Podium 100 % japonais chez les femmes, 0,3 point d'écart chez les hommes : tous les résultats du SLS Tempe Takeover, quatrième stop du Championship Tour 2026.

7 min de lecture
Guillaume Martin

Rédacteur skate chez NOSK8.

Spots, portraits et culture skate française — chaque article est relu et sourcé. Trois générations de pros au compteur. Chronique mensuelle.

Podium 100 % japonais chez les femmes, 0,3 point d'écart chez les hommes : tous les résultats du SLS Tempe Takeover, quatrième stop du Championship Tour 2026.

Sábado, 29 de agosto de 2026, a Mullett Arena de Tempe, no Arizona, recebeu a quarta etapa do Championship Tour da SLS. No feminino, os três degraus do pódio foram parar no Japão. No masculino, faltaram 0,3 ponto para o brasileiro Filipe Mota passar o americano Braden Hoban. Duas finais, duas histórias — e uma pergunta que se arrasta desde Tóquio.

Vencedor masculino

Braden Hoban

EUA — 9.5 no best trick

Vencedora feminina

Yumeka Oda

Japão — 2º título na SLS

Data

29 de agosto de 2026

Etapa 04 do Championship Tour

Local

Mullett Arena

Tempe, Arizona

Pódio feminino: 3 japonesas, 0 vaga para as outras

Yumeka Oda fechou a final dela num kickflip back 50 — um kickflip emendado direto num grind com os dois trucks ao longo do obstáculo. Foi esse trick que carimbou o título. Segunda vitória na SLS para ela, e a primeira num Takeover.

Atrás, Miyu Ito fica com o segundo lugar e Coco Yoshizawa com o terceiro. Yoshizawa é a campeã olímpica de Paris 2024. Campeã olímpica em atividade, terceira em Tempe: isso já diz bem o nível que precisava sair naquela noite.

  • 1. Yumeka OdaVencedora

    Japão — 2ª vitória na SLS, 1º Takeover. Título selado num kickflip back 50.

  • 2. Miyu Ito

    Japão — segundo degrau, na cola da vitória até a última passagem.

  • 3. Coco YoshizawaCampeã olímpica

    Japão — ouro em Paris 2024, terceira aqui. O pódio segue 100% japonês.

Coco Yoshizawa, médaille d'or de Paris 2024 autour du cou, saluant la foule lors du défilé de l'équipe du Japon
Coco Yoshizawa e o ouro olímpico de Paris 2024, festejada nas ruas de Tóquio. Em Tempe, esse currículo só rendeu o terceiro degrau: é a profundidade do banco japonês que aparece aí. Foto: RuinDig/Yuki Uchida — CC BY 4.0, via Wikimedia Commons.

Pódio masculino: 0,3 ponto entre Hoban e Mota

No masculino, quem leva é Braden Hoban. O americano assina o melhor trick da noite, nota 9.5: um kickflip back noseblunt. Filipe Mota termina a 0,3 ponto, em segundo. Kairi Netsuke completa o pódio.

Zero vírgula três. Numa noite inteira de runs e best tricks, é a margem de um juiz que hesita entre duas notas. Mota não errou nada: ele esbarrou num cara que soltou O trick na hora exata.

  • 1. Braden HobanVencedor

    EUA — 9.5 pelo kickflip back noseblunt, melhor nota da noite.

  • 2. Filipe MotaA 0,3 ponto

    Brasil — batido por três décimos. A menor margem da noite.

  • 3. Kairi Netsuke

    Japão — o único japonês que subiu no pódio masculino naquela noite.

Kairi Netsuke, cheveux blond platine, médaille autour du cou après une finale de la Street Skateboarding Tour
Kairi Netsuke, medalha na mão. Terceiro em Tempe, ele é o único japonês que subiu no pódio masculino — o contraste com a final feminina cabe nessa imagem. Foto: RuinDig/Yuki Uchida — CC BY 4.0, via Wikimedia Commons.

O 9.5 que decidiu a noite

O kickflip back noseblunt são dois gestos empilhados. Primeiro o shape girando sozinho embaixo dos pés. Depois a travada em equilíbrio no nose, na quina do obstáculo, com o tail no vazio. Errar a queda de um kickflip todo mundo conhece. Encaixar ele em cima de um noseblunt de backside — de costas para o obstáculo, ou seja, sem enxergar a quina na hora de pousar — é outro departamento.

Skateuse en l'air au-dessus d'un rail, planche retournée sous les pieds pendant un best trick
O gesto, flagrado num best trick: o shape gira sozinho e os pés precisam reencontrá-lo em cima do corrimão. É essa primeira metade que Hoban emendou num noseblunt para buscar o 9.5 dele. Aqui, Momiji Nishiya, no Mundial de Tóquio. Foto: RuinDig/Yuki Uchida — CC BY 4.0, via Wikimedia Commons.

9.5 é altíssimo na régua da SLS. Não se consegue isso com um trick só limpinho: a arena inteira tem que levantar. E levantou.

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A transmissão oficial do SLS Tempe Takeover, no canal da liga. É ali que estão as duas finais na íntegra, best tricks incluídos.

O que estava realmente em jogo em Tempe

Um Takeover não é só mais uma etapa para riscar da lista. É o formato em que a liga desembarca com as caixas dentro de uma arena e as vagas para o resto do Championship Tour se negociam no décimo de ponto. Para Mota, esses 0,3 ponto não são detalhe de planilha: é a diferença entre sair com um título para pôr no currículo e sair com um arrependimento. Para Oda, é um segundo troféu da SLS — a prova de que a primeira vitória não foi acidente de percurso. E para todos os outros, foi uma noite em que era preciso existir diante de um contingente japonês que abocanhou quatro das seis vagas de pódio.

O clima dentro da Mullett Arena

Fim de agosto no Arizona, o calor não dá trégua nem depois que o sol cai. Lá dentro é o rinque de gelo da universidade estadual do Arizona, adaptado para a noite: arquibancada subindo reta, ar-condicionado no talo e um som de rodinha no compensado que ricocheteia no prédio inteiro. Cada tentativa errada se ouve — o estalo seco do shape saindo sozinho, depois dois segundos de silêncio. Cada trick encaixado dispara um estrondo que vem de todos os lados ao mesmo tempo. É isso que a transmissão nunca entrega por completo.

Miyu Ito souriante en veste de travail beige, casquette bleue, dans les coulisses d'une compétition de skate
Miyu Ito, segunda em Tempe. Ela faz parte dessa onda japonesa que chega na final sem estar anunciada em lugar nenhum — e sai com um lugar no pódio. Foto: Skreeen — CC0, via Wikimedia Commons.

Então, o street virou de vez?

A resposta cabe numa frase: no feminino, já virou; no masculino, não — ainda não.

Coloca os dois pódios de Tempe lado a lado e eles contam dois mundos. Do lado feminino: três japonesas, com a campeã olímpica em atividade jogada para o terceiro lugar. Isso já não é performance, é profundidade de elenco — quando a terceira melhor de um país é campeã olímpica, o país ganhou antes de a final começar.

Do lado masculino, a conta é bem outra: um único japonês em três vagas, e um americano no degrau mais alto. O Brasil também está lá, a três décimos. Quem previa uma tomada de poder total depois dos títulos olímpicos de Yuto Horigome se adiantou. No masculino, o circuito segue sendo briga de três nações.

A virada é real, então, mas é assimétrica. E aconteceu primeiro justo onde muita gente menos olhava.

Yumeka Oda de face, casquette Red Bull, veste Sanrio blanche — la vainqueure du SLS Tempe Takeover 2026
Yumeka Oda. Dois títulos na SLS e o kickflip back 50 que fechou a final de Tempe: o rosto da virada no feminino. Foto: RuinDig/Yuki Uchida — CC BY 4.0, via Wikimedia Commons.

E se você perdeu a madrugada

A gente já tinha avisado do fuso antes do evento no nosso guia da programação do SLS Tempe no horário francês: a final masculina caía no meio da madrugada. Veredito para quem dormiu: a final feminina valia o despertador, a final masculina se decidiu em três décimos. As duas estão no replay do canal oficial, e 0,3 ponto se revê muito bem às 8h da manhã com um café.

As scoresheets completas, run a run, saem pela liga na página oficial do Tempe Takeover. A próxima etapa do Championship Tour, você acompanha aqui com a gente, como sempre.

0,3 ponto de diferença no masculino: justo, ou roubo escancarado contra o Mota? Comenta aí ↓

Para acompanhar o resto da temporada, a gente cobre todos os contests de skate no nosk8.com.

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Le lexique

  1. 1

    kickflip back noseblunt

    La planche fait un tour sur elle-même, puis se bloque en équilibre sur l'avant, dos au module, l'arrière dans le vide.

  2. 2

    kickflip back 50

    Un kickflip enchaîné directement sur un grind des deux essieux le long de l'arête du module, en arrivant de dos.

  3. 3

    best trick

    Phase de la finale SLS où chaque skateur tente une figure isolée, notée seule, en dehors des runs chronométrés.

  4. 4

    run

    Passage chronométré pendant lequel le skateur enchaîne librement ses figures sur l'ensemble du parcours.

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