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Só um americano no ouro em 11 finais de skate: quem ganhou de verdade a temporada XGL?

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Só um americano no ouro em 11 finais de skate: quem ganhou de verdade a temporada XGL?

XC New York champion pour 10 points. Mais sur les 11 finales de skate du Superdome, un seul vainqueur était américain — et la meilleure marqueuse de la ligue joue à Tokyo. Bilan de la première saison XGL.

7 min de lecture
Guillaume Martin

Rédacteur skate chez NOSK8.

Spots, portraits et culture skate française — chaque article est relu et sourcé. Trois générations de pros au compteur. Chronique mensuelle.

XC New York champion pour 10 points. Mais sur les 11 finales de skate du Superdome, un seul vainqueur était américain — et la meilleure marqueuse de la ligue joue à Tokyo. Bilan de la première saison XGL.

Três dias embaixo do domo de Nova Orleans, onze finais de skate e uma classificação final decidida por dez pontos. XC New York é campeão, todo mundo já sabe disso desde domingo à noite. Só que, recontando os pódios um por um, aparece uma parada que o comunicado não conta: nas onze finais de skate disputadas no Caesars Superdome, só um vencedor era americano. Um. Numa liga montada pela X Games, patrocinada em dólar, jogada num estádio da NFL.

Campeão XGL

XC New York

2 640 pts — 10 à frente do XC Tokyo

Maior pontuadora

Mizuho Hasegawa

680 pts — e o clube dela termina em 2º

Ouros do skate dos EUA

3 de 11

Os três assinados por Tom Schaar

Próxima etapa

Draft de inverno

16 de setembro de 2026, Cosm, Los Angeles

O único americano no ouro ganhou três vezes

Ele se chama Tom Schaar, tem 26 anos e era o competidor mais velho do line-up do vert. Ouro no park. Ouro no vert. Ouro no park best trick. Prata no vert best trick. Quatro pódios num fim de semana, numa idade em que o circuito já te encaixa educadamente na gaveta dos veteranos.

O detalhe que arde, visto dos Estados Unidos: o terceiro ouro no park da carreira dele o coloca num clube de quatro caras em trinta e um anos de X Games. Antes dele, só Chris Senn, Rodil de Araújo e Pedro Barros tinham empilhado três títulos ou mais na modalidade. Schaar não salvou só a honra: ele assinou o fim de semana de uma carreira. Tira ele do line-up e os Estados Unidos saem do próprio campeonato com zero finais de skate ganhas em onze.

O resto do quadro vai embora pra outros lugares. Japão com Ginwoo Onodera, Momiji Nishiya e Mizuho Hasegawa. Austrália com Chloe Covell e Mia Kretzer. Reino Unido com Sky Brown. Brasil com Gui Khury. Nove vencedores diferentes para onze finais, e um único RG americano no meio.

Ginwoo Onodera, 16 anos, e um tri que ninguém fazia desde 2013

A final do street masculino entregou a sequência mais reveladora do fim de semana. Ginwoo Onodera ganha, de novo. Terceiro ouro seguido na modalidade — antes dele, é preciso voltar até Nyjah Huston e seus quatro em sequência pra achar coisa melhor. Ele também vira o segundo skatista da história a faturar três ouros no street no mesmo ano civil, depois de Huston em 2013. Onodera tinha cinco anos na época.

Final do Street masculino do MoonPay X Games New Orleans 2026, vencida por Ginwoo Onodera

Atrás dele, Toa Sasaki fica com a prata no primeiro pódio de X Games da carreira, e Juni Kang com o bronze — quinto pódio em cinco participações no street, com o punho direito detonado o fim de semana inteiro. Três lugares, três skatistas formados na Ásia. A final rainha do street, aquela que enche a arquibancada de um estádio coberto de futebol americano, não viu um único americano subir no pódio.

A classificação individual diz o contrário da classificação dos clubes

É aqui que a primeira temporada da XGL fica sinceramente estranha. A X Games publica dois quadros: o dos clubes e o dos atletas — a tal classificação individual que a liga vendeu a temporada inteira como sua corrida ao MVP. Os dois não contam a mesma história.

  • 1. Mizuho Hasegawa680 pts

    XC Tokyo — ouro no vert, prata no park e bronze no vert best trick só no fim de semana de New Orleans

  • 2. Tom Schaar620 pts

    XC Los Angeles — 26 anos, o único americano a ganhar uma final de skate no Superdome

  • 3. Gui Khury610 pts

    XC São Paulo — oitavo ouro seguido no vert best trick, e o clube dele termina em último

  • 4. Mia Kretzer520 pts

    XC Los Angeles — 11 anos, 39ª escolhida entre 40 no draft, termina como 4ª maior pontuadora da liga

  • 5. Juni Kang500 pts

    Free agent — nunca draftado, nunca ligado a um clube, quinto na classificação individual

  • 6. Ginwoo Onodera470 pts

    XC New York — maior pontuador do clube campeão, e só o sexto da liga

  • 8. Chloe Covell400 pts

    XC New York — nº 1 do draft, oitava no acumulado, e mesmo assim foi ela que decidiu o título

Olha direito. O clube campeão coloca seu melhor nome em sexto. O clube que perdeu por dez pontos tem a maior pontuadora de toda a liga. E Chloe Covell, nº 1 absoluto do draft, termina em oitavo no acumulado — sendo que foi justamente o ouro dela no sábado à noite, somado à prata de Momiji Nishiya, que virou 180 pontos de uma vez e entregou o título pra Nova York. A gente já tinha explicado por que ela mete medo no circuito: ela pontua quando conta, não quando é só enfeite.

Uma liga americana, um line-up que já não é

Skatista de lipslide num handrail durante uma final de street indoor diante do público
Final de street indoor no Mundial de Tóquio, dezembro de 2023: a escola que faturou o Superdome três anos depois. Foto: RuinDig/Yuki Uchida — CC BY 4.0, via Wikimedia Commons.

A XGL é o draft de 2026: 40 atletas divididos em quatro clubes de cidades, mais de cem free agents, camisas, booths, merch. O modelo NBA colado no skate. Em junho, a X Games chegou a vender o clube de São Paulo pra um fundo sediado nos Emirados, a Summit Ventures, com Bob Burnquist instalado como general manager. Uma franquia de skate que troca de mãos antes mesmo de acabar a primeira temporada.

Resultado esportivo desse clube vendido e comandado por uma lenda brasileira: último, 2 350 pontos, apesar do oitavo ouro seguido de Gui Khury no vert best trick. E o clube de Los Angeles, que escala o segundo e a quarta maiores pontuadores da liga, termina em terceiro. O formato premia o ouro certo na hora certa, não a regularidade nas três etapas. Dá pra defender — foi isso, inclusive, que produziu esses dez pontos de diferença. Mas tem que assumir o que isso diz.

Então quem ganhou de verdade essa temporada?

Resposta seca: Mizuho Hasegawa. 680 pontos, primeira na classificação individual da liga, bem à frente de Tom Schaar (620) e Gui Khury (610). Só em New Orleans, ela tira o ouro no vert, a prata no park e o bronze no vert best trick — três pódios em três finais disputadas. E o clube dela, o XC Tokyo, perde o título por dez pontos. A melhor skatista da temporada vai embora sem bandeira nenhuma.

Segunda resposta, mais ampla, e é a que importa pro que vem: a temporada foi ganha por uma geração que não é americana e que não chegou aos 20. Onodera 16 anos, Covell 16 anos, Mia Kretzer 11 anos — 39ª escolhida entre 40 no draft, termina como quarta maior pontuadora da liga com um fakie body varial 720 que ninguém tinha aterrissado antes dela. O Superdome coroou um clube nova-iorquino e um line-up japonês, australiano, brasileiro, coreano, espanhol. É esse o verdadeiro resultado da primeira temporada.

E pra quem duvidava do formato: a liga produziu, em três etapas — Sacramento, Chiba, New Orleans —, uma diferença de dez pontos num acumulado de 2 640. Nossos resultados de Sacramento já mostravam a Austrália assumindo o controle. Nenhum circuito individual tinha conseguido segurar uma tensão dessas por uma temporada inteira. O formato funciona. Só não coroa quem financiou.

E agora: encontro marcado em 16 de setembro

A temporada de verão da XGL está encerrada. O próximo compromisso da liga é o draft de inverno, marcado pra quarta-feira, 16 de setembro de 2026, no Cosm de Los Angeles — quatro clubes de inverno, esqui e snowboard, mesma mecânica de recrutamento. No lado do verão, se você quiser rever tudo hora a hora, nossa programação em horário francês guarda a cronologia exata das finais.

Uma liga por clubes que coroa Nova York enquanto a maior pontuadora joga em Tóquio: formato justo ou formato torto? Manda tua opinião nos comentários ↓

A gente acompanha a temporada inteira dos grandes contests de skate no nosk8.com — resultados, balanços e aquilo que ninguém recontou.

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Le lexique

  1. 1

    vert

    Discipline sur rampe en U géante, où les skateurs enchaînent les figures en l'air au-dessus du bord.

  2. 2

    best trick

    Format où chaque skateur tente sa figure la plus dure en un seul essai, sans run complet à assembler.

  3. 3

    free agent

    Athlète non retenu par un club au draft, qui marque des points pour lui-même sans couleurs d'équipe.

  4. 4

    park

    Discipline dans un bowl en courbes et creux, jugée sur un run libre plutôt que sur des modules de rue.

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